Sindicatos rurais da região ainda avaliam medidas a serem tomadas após o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que facilita a posse de armas de fogo. Residir em áreas rurais é um dos itens da lista do novo governo, que aponta situações consideradas de "efetiva necessidade", para que cidadãos tenham uma arma em casa.
Armar a população era uma das promessas de campanha do presidente e o decreto, assinado no dia 15 deste mês, dividiu opiniões entre especialistas e toda a população. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Congresso Nacional já havia discutido o armamento de moradores de zonas rurais em anos anteriores, e a principal argumentação favorável envolve a falta de segurança em locais mais afastados.
Segundo Marcos Kyiuna, da diretoria do Sindicato Rural de Suzano, a medida pode ser arriscada. "Nós faremos uma reunião no fim deste mês, ou no início de fevereiro, para discutir quais medidas serão tomadas sobre a orientação dos agricultores a respeito da posse. Mas, particularmente, eu acho até mesmo perigoso. Os donos de fazendas e chácaras, geralmente, são idosos, não sabem manusear um revólver, por exemplo. Os bandidos sim estão habituados, então pode ser perigoso para a vítima".
Para o presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Minoru Mori, a decisão é muito particular. "Depende da vivência e experiência de cada um. A necessidade ou não de segurança varia, pois precisamos levar em consideração o histórico da propriedade, localização, qual atividade realizada, e até mesmo se o agricultor tem alguma habilidade ou familiaridade com armas", explicou. Mori ainda completou, dizendo que o trabalho do sindicato é de prevenção. "Nossa responsabilidade é em conjunto do poder público, de segurança, para que não haja necessidade do acionamento da Polícia Militar, ou seja, para que não a incidência de crimes nesses locais seja cada vez menor, e agora, para que o uso da arma de fogo particular não seja necessário".
Segundo ele, ainda não foi avaliada a necessidade de realizar alguma ação preventiva ou de orientação para os agricultores, e a demanda de interessados em obter uma arma de fogo não é alta.
*Texto supervisionado pelo editor.