A falta de uma rede de esgoto no bairro do Botujuru, em Mogi das Cruzes, é a principal reclamação dos moradores, que convivem diariamente com poças de água suja nas ruas e calçadas. Além disso, há diversos terrenos baldios com matagal invadindo as calçadas, fazendo com que a população seja obrigada a desviar, dividindo espaço com veículos, para continuar o trajeto. A reportagem esteve ontem no bairro para ouvir os moradores sobre os problemas enfrentados pela comunidade.
"O esgoto é algo que atrapalha muito", contou o comerciante Sandro Leite de Souza Lima, de 51 anos. Ele ressaltou que basta caminhar pelas ruas do bairro para encontrar poças de esgoto pelas calçadas. "Temos que andar desviando do esgoto nas calçadas. As crianças quando retornam da escola andam na rua porque as calçadas também estão cheias de mato, os cachorros pegam carrapato e nessa época de calor muito inseto aparece, barata principalmente", disse.
Atualmente, a Prefeitura de Mogi das Cruzes e o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) estão realizando obras de esgotamento sanitário no bairro e na região de Cezar de Souza, no montante de
R$ 26 milhões, nas quais serão implantados 45 quilômetros de redes de esgoto, 2,76 mil ligações domiciliares, 3,5 mil novas ligações prediais ao término da obra, seis Estações Elevatórias de Esgoto, 5,5 mil metros de linhas de recalque e 11 quilômetros de coletores-tronco.
No entanto, os moradores do Botujuru estão desacreditados com a obra. "Ninguém acredita, não vemos perspectiva dessa obra ir para frente", concluiu Lima. Para o comerciante Roberto Laurindo, 55, o esgoto também é a principal reclamação. "Esse é o problema de todo mundo, atrapalha demais, temos que usar a fossa e acaba soltando na rua", disse.
A dificuldade em realizar uma ligação de água na própria casa foi uma das reclamações de outro comerciante, André Rafael, 42. "Além do esgoto interferir muito, não consegui pedir uma ligação de água. Eles querem que seja uma caixinha que é mais cara, mas não tem como", explicou.
Já para a dona de casa Julia Bernardes dos Santos Silva, 56, os matagais em terrenos baldios são criadouros de ratos, cobras e insetos. "Não temos rede de esgoto e muita gente não tem fossa, vai para a rua mesmo. Aparece muita cobra e rato, além de barata por causa do mato nesses terrenos baldios. Ninguém faz nada e quem paga somos nós, que deixamos o terreno limpo", apontou.