As escolas de futebol de base são um instrumento do esporte para socialização dos jovens e crianças. Isso de acordo com alguns profissionais da área do esporte. No Alto Tietê, pelo menos três instituições fazem trabalhos com crianças e jovens que sonham em ser jogadores de futebol, a filial do São Caetano em Mogi das Cruzes, a do Atlético Paranaense em Arujá e a do Santos, time conhecido por ser revelador de craques, em Itaquaquecetuba.
Porém de acordo com essas instituições, a formação de atletas profissionais fica em segundo plano, perdendo espaço para a formação de cidadãos aptos para as dificuldades da vida.
Um exemplo do uso do futebol como instrumento de mudança na vida dos pequenos é a escola do Atlético Paranaense de Arujá em que o professor da filial, Wallison Carlos Teixeira Santos, afirmou que o lema da instituição é exatamente esse, "formar cidadãos por meio do futebol". Ele destacou, também, que dos aproximadamente 90 alunos que estão treinando em todas as categorias da instituição, alguns têm o sonho de se tornar um jogador profissional de futebol, mas ele tem ciência das dificuldades. "Sabemos que é muito difícil o jovem ser um jogador profissional. Mas mesmo quando o jogador não consegue chegar profissionalismo nós queremos formar homens. Primeiro focamos na formação do cidadão, e depois a gente busca um atleta para ser jogador profissional."
O coordenador da escola Meninos da Vila, do Santos, em Itaquá, o ex-jogador profissional Ricardo José Ribeiro é também professor de futebol desde 2004, quando se formou em Educação Física. Segundo Ribeiro, nesta filial, o futebol ultrapassa as quatro linhas e ajuda na vida dos garotos. "Aqui na escolinha, por meio dos treinos e das competições o garoto trabalha em grupo, aprende ganhar e perder, que são situações que ele leva para a vida."
De acordo com Ribeiro, participar de atividades esportivas em grupo desde cedo, sempre muda a vida dessas crianças. "Tem alguns garotos que chegam nos primeiros meses de aula um pouco agressivo e os professores vão procurar os pais para entender o motivo desta rebeldia. Dá certo. O futebol muda a vida desses meninos", concluiu Ribeiro.
Já na Vila Jundiaí em Mogi, a escolinha do São Caetano também pensa no futuro das crianças. O professor e coordenador da escola, Cássio Leão, comentou que o objetivo ao final de um ciclo de treinos na instituição, não é desenvolver jogador profissional e sim cidadãos educados e disciplinados , com a ideia de praticar o esporte como estilo de vida. "As atividades são importantes para o resto da vida. Iniciamos nossas atividades com eles a partir de cinco anos ensinando a base do futebol, desenvolvimento motor e cognitivo, mas principalmente a socialização e interação com outras crianças", disse Leão. (F.A.)
*Texto supervisionado pelo editor.