A região leste de Mogi das Cruzes, como contou o professor e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) Mário Sérgio de Moraes, há 40 anos era um local com residências isoladas. Pelo fato da região ficar entre duas cidades, Mogi e Suzano, na perspectiva do professor foi a população mogiana que mais cresceu. "Na década de 80 ocorreu o impulso imobiliário. Mas, nada planejado, razão pela qual incendiou uma arquitetura caótica, com ruas tortuosas não obedecendo o bom tráfego”, explicou. Na concepção do professor, o distrito de Cezar de Souza, região que será mais beneficiada com o projeto Mogi Mais Ecotietê, representa a característica do município. “A classe média está em Cezar, por que Mogi não é cidade de industriais nem de magnatas, é de classe média. Com isso, digo que é o distrito máximo múltiplo comum do município: é o perfil de Mogi”, pontuou.
Com o crescimento populacional, Moraes argumentou que foram surgindo, de maneira natural, os sistemas de serviços. Para o professor o projeto Mogi Mais Ecotietê carrega os aspectos negativo e positivo. “A fiscalização que a prefeita pode fazer pelo ordenamento é muito frágil, por esse aspecto que foi sido ocupado pelo ‘bel prazer’, sem planejamento”, apontou, acrescentando ainda que o trânsito no Distrito de Cezar de Souza é tão precário quanto na região central.
Já o aspecto positivo para o professor é a construção dos parques. “Mas precisará ver se terão um cuidado adequado. Todos que entram para a administração pública dizem que vão fazer planejamento, mas tem algo errado nisso. Por que sempre estão planejando? E por que não estão mantendo projetos? Tem algo errado nisso, soa como publicidade”, opinou o professor.
O crescimento na região leste é uma influência da cidade metropolitana de São Paulo, de acordo com o arquiteto Paulo Pinhal. “ A cidade de São Paulo já cresceu para todos os lados, menos a zona leste. Por isso sabíamos que o crescimento de Mogi iria se dar pela mesma zona”, caracterizou, ressaltando ainda, que com a exploração imobiliária, a carga de esgoto de lixo aumenta e por isso “esse projeto é um remendo para melhorar o que já deveria ser feito”. (N.F.)