No período de janeiro a novembro do ano passado, Mogi das Cruzes registrou 110 casos de estupro, número 35,8% maior se comparado com o mesmo período de 2017, quando 81 casos foram registrados. A quantidade é significativa, mas não quer dizer que as ocorrências estão aumentando, e sim, as vítimas estão denunciando mais, como afirmou ontem a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher de Mogi, Valene Bezerra.
O estupro, a violência doméstica e o feminicídio são os crimes que mais chamam atenção da população pela brutalidade envolvida. Valene explicou que a maioria dos casos que ocorrem em Mogi são de vítimas que nunca denunciaram. "Estatisticamente falando, os casos não são tão altos assim, as ocorrências de outros crimes também aumentaram, mas está se dando um destaque maior para os casos de feminicídio. Em Mogi, são poucos os casos e muitas vezes de vítimas que não denunciaram", explicou.
Para a delegada, as vítimas estão denunciando mais os crimes. Muitas vezes, um caso específico, como, por exemplo, o estupro de vulnerável, que aumenta estatisticamente pelo fato de ser necessário o registro de boletim de ocorrência para que a vítima receba o atendimento médico. "Qualquer denúncia de estupro, como o estupro de vulnerável, é exigido boletim de ocorrência. Em contrapartida, os casos de feminicídio que ocorreram na região de Mogi, eram vítimas que já passaram por ocorrências anteriores", destacou.
Feminicídio
No último dia 15, Mirele Peixoto Souza Teodoro, de 22 anos, foi encontrada morta em um matagal, no bairro do Taboão, em Mogi, com dois disparos efetuados por arma de fogo na cabeça. Anteontem, o suspeito pelo crime, o pastor Adir Neto Teodoro, 58, ex-sogro dela, foi preso pela Delegacia de Homicídios da cidade. Ele chegou a ir ao velório da ex-nora, orou junto ao corpo dela e negou o crime. Mirele estava separada do filho de Adir e deixou uma filha de seis meses.
Os policiais iniciaram a investigação após identificar a vítima. Em contato com a mãe dela, foram informados de uma foto que Mirele enviou por celular de que estaria em um restaurante. Com isso, os investigadores conseguiram chegar até o estabelecimento, localizado às margens da rodovia Ayrton Senna (SP-70), e pelas imagens de câmeras de segurança observaram que a jovem estava acompanhada de um senhor, identificado depois como Adir.
O suspeito contou, em depoimento, que havia alugado um carro na região do Tatuapé. Isso demonstra para a polícia que o crime foi premeditado. Um segundo suspeito está sendo investigado, já que ele aparece nas imagens das câmeras de segurança. O delegado da Delegacia de Homicídios, Rubens José Angelo, pediu a prisão temporária de Adir. Ele deve responder pelo crime de homicídio triplamente qualificado.
Anteontem, mas em Arujá, um homem foi detido pela Guarda Civil Municipal (GCM) por tentativa de feminicídio. Ele tentou estrangular a ex-esposa com um pedaço de fio. Na ocasião, ele estava descumprindo uma medida protetiva determinada pela Justiça e ficou preso.