Desde março deste ano, as praças em Poá estão sem os brinquedos destinados ao lazer das crianças. Os materiais foram retirados pela prefeitura sob a justificativa de que "os equipamentos foram interditados por estarem em desacordo com a nova norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)".
Os moradores da cidade não estão satisfeitos com a situação e cobram a reposição dos brinquedos. A equipe de reportagem do Dat esteve ontem no Centro Integrado Esportivo Antonio Sanches, no Jardim Romero, para ouvir algumas opiniões sobre o caso. Questionada, a administração municipal não esclareceu o assunto até o fechamento desta edição.
A retirada dos brinquedos foi realizada após a morte da menina Letícia Rayanny Marcelino, de 9 anos, que ocorreu em dezembro do ano passado, depois do rompimento da estrutura do balanço onde ela brincava, na praça Antônio Sanches. Na época, o laudo do Instituto de Criminalística apontou que a causa do acidente foi a má conservação do brinquedo.
O caso completou um ano e, na última semana, a prefeitura foi condenada em uma ação de Responsabilidade Civil com pedido de indenização por danos morais e materiais, movida pela mãe da menina, Eliana Cristiane Marcelino da Silva. A decisão foi dada pelo juiz Sérgio Ludovico Martins e determinou o pagamento de R$ 250 mil à mãe.
No início, apenas os equipamentos das áreas centrais foram retirados. Porém, há nove meses a prefeitura recolheu os brinquedos de todas as praças. A administração informou, na ocasião, que estava adotando as providências necessárias para manutenção, reparos e consertos ou mesmo interdição de praças públicas que tivesse brinquedos para lazer.
De acordo com a dona de casa e moradora do Jardim América, Michele Cerqueira, 33 anos, a manutenção é necessária, mas a demora deve ser questionada. "Está certo que a prefeitura deve oferecer mais segurança para a população, mas essa ação está se estendendo e as praças continuam sem brinquedos. As crianças não têm lazer na cidade e eu não sei aonde levar minha filha de cinco anos para se divertir no município", afirmou.
O maquinista de trem e morador da Vila Monteiro, Sidney Mello, 42, disse que os moradores devem cobrar a prefeitura. "Essa acomodação da administração municipal é apenas um reflexo da população. Ninguém pressiona a prefeitura e em razão disso, fica tudo como está", lamentou.
Já técnica em radiologia e moradora do Jardim América, Tabata Freires, 27, disse que a única alternativa é ir a outras cidades. "Eu tenho uma criança em casa e quando vou para os parques, eu sou obrigada a ir ao Parque Centenário, em Mogi das Cruzes, ou no Max Feffer, em Suzano. Não temos espaços de lazer na cidade e é muito triste isso", queixou-se.
* Texto supervisionado pelo editor.