A Justiça de Goiás rejeitou no final da tarde de ontem um pedido de habeas corpus em favor do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus. A revogação da prisão preventiva havia sido solicitada pela defesa do líder espiritual, mas foi indeferida pelo desembargador Jairo Ferreira Júnior.
Como o pedido foi negado, a estratégia da defesa será entrar agora com um novo pedido para trocar a prisão preventiva por outra medida cautelar, como a prisão domiciliar. João de Deus está preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia desde o domingo. Ele é acusado de crimes de abuso sexual e, nesse primeiro momento, a investigação se concentra em 15 casos.
Diligências
Equipes da Polícia Civil de Goiás realizaram ontem diligências na Casa Dom Inácio de Loyola, local onde o médium João de Deus fazia seus atendimentos espirituais. As investidas foram confirmadas pelo delegado-geral André Fernandes. Ele não confirmou, no entanto, se havia mandado de busca e apreensão para o recolhimento de provas no local.
As equipes da polícia civil chegaram por volta das 14h25, entraram no centro espiritual e permaneceram em uma sala que seria usada como departamento administrativo do local.
Já havia a informação de que a polícia deveria cumprir mandados de busca e apreensão nos endereços ligados ao médium com o objetivo de esclarecer pontos contraditórios entre os depoimentos das vítimas e de João de Deus. Foram autorizados mais 20 mandados.
O advogado criminalista Alberto Toron, que atua na defesa de João de Deus, havia dito mais cedo que não tinha conhecimento dos mandados, mas ressaltou que as autoridades teriam "amplo acesso" a tudo que precisarem. "Não há o que esconder e vamos colaborar", disse.