Há quatro anos em situação de rua, Luciano Portela, 44 anos, pretende ingressar no ensino superior. Com o auxílio do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (POP), localizado na avenida José Benedito Braga, 496, no bairro do Mogilar, ele conseguiu a isenção da taxa de inscrição e prestou o vestibular da Faculdade de Tecnologia (Fatec). Ontem, Portela participou da confraternização do Centro POP para todos os usuários do serviço, ou seja, pessoas em situação de rua. A festa contou com uma mesa recheada de frutas, panetones e bolos, além de música.
"Fazer essa festa para eles é muito importante, porque no Natal e do Ano Novo não vão ter uma casa, o apoio da família. Então, é necessário resgatar esse sentimento", contou a secretária de Assistência Social, Neusa Marialva. Para ela, é importante que os usuários do serviço não se esqueçam de serem gratos e afirmou que a todo momento está junto a eles. "Não podemos esquecer de agradecer à vida, às pessoas, tudo de bom que nós temos. Esse encontro é uma união e não se esqueçam que estamos com vocês", declarou.
A capacidade de atendimento no Centro POP é de 30 pessoas por dia, mas a procura chega a ultrapassar o número. De acordo com o agente social e coordenador do espaço, Osni Damasio da Silva, quando as pessoas em situação de rua chegam na casa é feito auxílio de higiene e oferecido café da manhã e almoço, além de atendimento psicossocial.
"Verificamos a demanda de cada pessoa que chega aqui, se tem contato com a família, as condições de saúde e partir daí encaminhamos para os equipamentos de saúde", disse. O espaço funciona todos os dias das 8 às 17 horas, entretanto, as equipes de abordagens nas ruas da cidade atuam até às 20 horas. "Há também a questão das pessoas em trânsito, que vêm da Zona Leste de São Paulo ou do Vale do Paraíba. O atendimento é mais simples, já que estão em trânsito", apontou.
Os principais objetivos do Centro POP é resgatar a pessoa em situação de rua e fazer com que ela ingresse no mercado de trabalho. Um exemplo é o jardineiro Wagner de Souza, 38, que está em situação de rua há quatro anos. Com o auxílio da entidade, ele ingressou em uma empresa. "Estou na rua porque me separei da minha esposa, nós éramos usuários de droga. Tenho dois filhos, a minha ex-esposa já está recuperada, eu fiz um tratamento", contou.
Como ele, Portela, citado no início da reportagem, também é usuário de droga. Por esse motivo, a família não o aceita mais na própria casa. "Fiz o vestibular para o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistema e minha filha já estuda Agronomia lá. Estou na rua há quatro anos por causa de drogas e minha família não me aceita em casa", finalizou.