Em 2040, a população mogiana com idade acima de 60 anos será 172,36% maior que o índice de 2011. Enquanto há sete anos, o número de idosos era de 41.455, a expectativa é que em 22 anos, essa parcela da população atinja o montante de 112.908 pessoas. Os dados integram um estudo divulgado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), órgão ligado à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.
O levantamento mostra que o percentual das pessoas com idade entre 45 e 59 anos também vai crescer em 2040. Em 2011, Mogi contava com 67.577 mogianos nesta faixa etária, já a expectativa para os próximos 22 anos, é que essa parcela da população atinja o montante de 104.534, o que representa um aumento de 54,69%.
A população com idade entre 20 e 44 anos crescerá 4,68% em 2040, saindo de 158.849 em 2011 para 166.287 em 22 anos. Na contramão, está o número de nascimentos. A previsão é que eles caiam 12,11%. Enquanto em 2011, a cidade contava com 123.971 crianças e jovens com idade entre 0 e 19 anos, a previsão é que esse montante baixe para 108.958 em 2040.
Para o sociólogo Afonso Pola, o fenômeno de envelhecimento da população já era notado nos últimos anos e a expectativa é que ele se intensifique nos próximos anos. "Vimos o encolhimento na base da pirâmide etária. Nascem cada vez menos crianças, essa base, que era gorda, vai emagrecer cada vez mais. O número de idosos vem crescendo cada vez mais até por causa do aumento da expectativa de vida. Algumas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a população vem perdendo o ritmo de crescimento e que por volta de 2040 vai parar de crescer. Depois, começará a inversão: mais mortes que nascimentos. A perspectiva é a redução do número absoluto de pessoas", analisou.
Pola ressaltou que o cenário traçado pelo Seade vem se desenhando ao longo dos últimos anos, até pela vinda da população rural para a cidade, a inclusão da mulher no mercado de trabalho e a decisão dos casais de adiarem ou até mesmo optarem por não ter filhos.
O sociólogo chamou a atenção para a questão previdenciária, que está em evidência atualmente. Hoje, o sistema previdenciário brasileiro é baseado no esquema em que as pessoas que estão ativas contribuem para os inativos.
"A sociedade terá que fazer uma escolha. A previdência do jeito que está hoje é ruim, pois privilegia os mais bem colocados. Quem se aposenta cedo são as pessoas que trabalharam a vida toda na economia formal. Na hora de discutir a idade mínima também tem de se levar em conta que a população não é uma massa uniforme. A expectativa de vida é próxima de 80 anos, mas temos Estados em que ela é abaixo de 65 anos", apontou.