A Câmara de Santa Isabel ainda não foi notificada oficialmente pela Justiça sobre o afastamento da prefeita Fábia Porto (PRB) das funções de chefe do Executivo, por suspeita de improbidade administrativa. A informação foi passada ontem à reportagem do Dat. Enquanto a notificação oficial não acontece, Fábia continua no cargo. A Justiça decretou o afastamento de 180 dias na última sexta-feira, depois que a 2ª Vara Cível do município acatou o pedido do Ministério Público (MP). A republicana teve os bens bloqueados, em até
R$ 2,52 milhões, assim como o ex-marido dela, Celso de Carvalho Rossetti. A reportagem procurou ontem a administração municipal sobre o caso, mas não teve retorno. Nas redes sociais, a prefeita alegou ser inocente. "Não cometi nenhum crime, não comprei nada, não pedi nada para nenhum fornecedor e ninguém desviou dinheiro da prefeitura", argumentou.
Entenda o caso
A Justiça decretou o afastamento da prefeita no final da tarde da última sexta-feira e, de acordo com o inquérito instaurado pelo MP, está sendo apurado se houve irregularidades na aquisição de um imóvel no valor de R$ 1,3 milhão. No documento, o MP aponta que, ao ser eleita, em dezembro de 2016, Fábio e Rossetti assinaram um contrato de compra e venda de uma casa e se comprometeram a pagar em parcela única no mês de janeiro deste ano.
Para realizar o pagamento, por mês, o faturamento mensal teria que girar em torno de R$ 56.250, considerando o período de 24 meses. O órgão destacou que a remuneração líquida mensal da prefeita é de R$ 14.896,20. "Destaca-se que a remuneração líquida mensal do cargo de prefeita de Santa Isabel é de R$ 14.896,20", diz o documento, que ainda cita que a "origem do dinheiro poderia ser do Colégio Porto Rossetti".
O MP também apurou que em dezembro de 2017 foi feito o primeiro termo aditivo no contrato de promessa de compra e venda e, na ocasião, teria sido paga a quantia de R$ 250 mil e acordado o valor dos outros pagamentos. Ainda, os vendedores do imóvel receberam o valor de R$ 880 mil, sendo que
R$ 630 mil teriam sido pagos por uma empresa de transportes que prestava serviços para a prefeitura e R$ 250 mil teriam sido depositados pelo então sogro de Fábia.