No ritmo da música "Língua", de Caetano Veloso, na qual o idioma nacional é homenageado, amanhã será celebrado o dia da Língua Portuguesa. O português é falado por mais de 250 milhões de pessoas no mundo, sendo que destas, 80% são brasileiros. Com a crise dos refugiados, a cada dia mais pessoas estão aprendendo a língua. É o caso da família Ibesh, refugiada síria, que veio para o Brasil no final de 2015. O filho de Mohymen Ibesh, engenheiro civil, de 65 anos, e de Oula Al Ali, 53, Nebras Ebish, contou que os primeiros seis meses no país foram os mais difíceis, por conta do choque de cultura e do pouco entendimento da língua. "A cultura é nova e a língua a gente não sabia falar. Com o tempo, acostumamos e aprendemos a falar as coisas básicas para irmos no supermercado, por exemplo", disse.
Nebras aprendeu a falar o português primeiro, para então ajudar os pais. O rapaz, na época, conheceu a escola Intertexto, que ajuda refugiados a aprenderem o português, por meio da presidente na Organização Não Governamental (ONG) Refúgio Brasil, Faysa Daoud. As aulas são realizadas por voluntários brasileiros. A mãe de Nebras contou que faz, junto com o marido, duas aulas por semana e gosta muito. "Tive que parar durante o mês do Ramadã, de 5 de maio a 4 de julho. Com isso, não consegui continuar com as aulas e senti muita falta", relembrou.
Os pais de Nebras retornaram às aulas em setembro. "Quero muito aprender a falar, mas sinto receio na hora de construir as frases", pontuou Oula. Eles contam, também, que acham a pronúncia da língua portuguesa muito diferente. Além do árabe, a família também fala o inglês e acham o idioma americano mais fácil, argumentando que não há necessidade de pronunciar todas as letras. Eles fazem a tradução do português para o inglês e depois para o árabe. Segundo a família, esse processo ajuda na compreensão das palavras. Nebras dá o exemplo da confusão entre os termos "último" e "ótimo" e também com "olho" e "alho".
Refúgio Brasil
A ONG Refúgio Brasil, pela qual a família soube do espaço para aprender o novo idioma, possui 78 famílias refugiadas cadastradas, vindas da Síria, Egito, Palestina, Iraque e África. Faysa contou que o principal motivo que os trazem ao Brasil é a facilidade que o país proporciona, pois faz parte do acordo de refúgio com as Nações Unidas (ONU). "O país concede visto tranquilamente e eles se sentem bem, porque o Brasil abriu as portas para recebê-los", esclareceu.
Apenas na cidade de Mogi, são 38 famílias em situação de refúgio. A presidente da ONG disse que a organização atende os refugiados para regularizá-los e ajudar a inseri-los no mercado de trabalho, além de também ajudar a aprender o idioma que, segundo ela, é muito complicado para eles. A ONG ainda ajuda a garantir escola para crianças e tenta ajudar as famílias na educação e saúde.
* Texto supervisionado pelo editor.