Incerteza, hesitação, indecisão, receio, ceticismo, desconfiança, incredulidade e até prudência excessiva... A dúvida, traduzida por tudo isto e ampliada pela inquietação, nervosismo e ansiedade, interage com a nossa fé, perturba o espírito humano e produz perdas e sofrimentos. Estes sentimentos permeiam a nossa mente e funcionam como uma fé ao contrário. Dúvida e fé coexistem, estão bem próximas, mas não podem interagir. Quando dúvida e fé se equivalem e interagem, ambas se anulam e não acontece nada. Já quando a dúvida é maior do que a fé, o resultado é justamente o oposto do que a pessoa espera. O homem mais veloz do mundo quebrou o próprio recorde, correndo 100 metros em 9 segundos e 74 centésimos. Porém, quando Asafa Powell ia disputar grandes provas, como as Olímpiadas ou campeonatos mundiais, sempre perdia para os outros corredores e até para ele mesmo. Não chegava a atingir a própria marca.
O fisiologista italiano Antonio Dal Monte explica: "A pressão psicológica cria uma resistência em seus músculos, que o impede de correr relaxado". Ou seja: o receio de não conseguir, o nervosismo, a ansiedade, interagem nas suas ações físicas e refletem negativamente no seu desempenho. Então, ele perde. E assim é com todo mundo.
Muitas vezes você fica torcendo para que aconteça uma coisa boa, deseja aquilo com muita intensidade e ansiedade, mas no fundo do seu coração há um receio de que tudo dê errado. E o que acontece? Justamente o que você não queria. Jó percebeu isto e se perguntava: "Por que o que eu temia me veio, e o que receava me aconteceu?" (Jó 3.25).
A dúvida, materializada em receio, nos faz pensar que é mais fácil acontecer o mal do que o bem. E este receio gera a insegurança. A insegurança gera a dúvida de novo e, sem percebermos, entramos no Círculo Vicioso do Fracasso. Como o cérebro humano aprende tarefas e funciona automaticamente para um grande número de ações, fazemos disso o nosso modus vivendi, e repetimos este círculo vicioso sem perceber. Tornamo-nos pessoas cada vez mais fracas e pessimistas e predispostas ao fracasso.
Jesus sempre combateu estes sentimentos por serem antiprodutivos. Quando disseram a Jairo que era tarde demais - a sua filha já estava morta - Jesus poderia ter dito para Jairo: Crê somente; mas Ele advertiu: "Não temas, crê somente" (Marcos 5.36b). Jairo apenas creu - sem duvidar e temer - e Jesus ressuscitou a sua filha.
O que faz cada um de nós naufragar na fé é a dúvida apoiada no raciocínio lógico que insiste em acreditar apenas nas leis da natureza e duvidar de tudo aquilo que não pode ser compreendido. Jesus desafiou toda a lógica ao andar cerca de cinco quilômetros sobre as águas revoltadas do Mar da Galileia, como se fossem terra firme. Pedro também viveu esta experiência única. Mas, quando começou a afundar, Jesus, ao socorrê-lo, disse-lhe: "Homem de pouca fé, por que duvidaste?" (Mateus 14.31b). Pedro duvidou porque "sentindo o vento forte, teve medo" (Mateus 14.30). Naquele momento em que Pedro vivia o que nos parece impossível, seu cérebro, automática e rapidamente, analisou a situação à sua volta e concluiu que aquilo era totalmente ilógico e perigoso. Teve medo de afundar e, do jeito que sua fé negativa creu, assim aconteceu!