A saída de Cuba do programa "Mais Médicos" no Brasil, anunciada na quarta-feira, deve afetar as cidades do Alto Tietê que são adeptas do projeto, como por exemplo, Arujá, com oito médicos cubanos, Suzano, com sete, e Itaquaquecetuba, com 11, totalizando 26 médicos. Os profissionais atuam como generalistas e, até ontem, as prefeituras não haviam recebido notificações oficiais, bem como definições de quando os médicos deixarão as cidades, conforme informado à reportagem. De acordo com o Mapa de Atuação do programa, oito municípios têm o perfil de adesão ao "Mais Médicos", sendo 68 vagas autorizadas. A decisão de Cuba em deixar o programa se deu pelo fato de discordar declarações e condições do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O país caribenho enviava profissionais ao Brasil desde 2013.
Em Suzano, sete médicos atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sendo um no bairro Jardim Europa, dois na Cidade Miguel Badra, um no Jardim São José, um no Jardim Ikeda, um na Vila Fátima e um no Jardim do Lago. Se os profissionais deixarem a cidade, a Secretaria de Saúde irá trabalhar com estratégias de reposicionamento imediato com outros médicos, contratados a partir de um processo seletivo que aconteceu em junho deste ano. "Caso ocorra a saída dos profissionais, a administração municipal vai aguardar a adequação do Ministério da Saúde para a substituição", apontou o secretário da pasta, Luis Cláudio Rocha Guillaumon.
Já em Itaquá, os 11 profissionais atuam nas Unidades de Saúde da Família (USFs) do Jardim América, sendo três médicos, e no Parque Piratininga, Jardim Nicea/Louzada, Pequeno Coração e Jardim Miray, com dois médicos em cada unidade. "A Secretaria de Saúde planeja, neste primeiro momento, em redistribuir os médicos existentes, porém este assunto será amplamente debatido", informou a pasta. Ao todo, eram atendidas de duas a 3,5 mil pessoas, de acordo com os cadastros. Por Arujá são oito médicos cubanos que atuam nas UBSs do Mirante, Barreto, Jardim Emília e Jardim Real, sendo cada um dos profissionais, responsável por 3.750 pacientes, em média
Demais cidades
Na região, Mogi das Cruzes, apesar de constar no Mapa de Atuação, tendo quatro vagas no programa, não participa do projeto. Guararema e Poá, não aparecem nesse mapa. De acordo com a administração municipal, Poá não aderiu ao "Mais Médicos" em 2013 por decisão do prefeito daquela gestão e, em 2015, fez uma solicitação para a inclusão, que não foi atendida. Este ano, a Secretaria de Saúde fez a adesão para entrar no programa, mas ainda aguarda o posicionamento do Ministério da Saúde.
Ontem, o Ministério realizou uma reunião com a Organização Pan-Americana de Saúde (Pan) para a definição da saída dos médicos cubas e entrada de profissionais brasileiros, que serão selecionados por edital. Ao todo, serão 8.332 vagas deixadas pelos médicos cubanos.