O professor de Matemática, o sírio Saleh Helali, de 28 anos, é refugiado de Damasco e chegou ao Brasil em fevereiro de 2015. Ele encontrou no país uma nova vocação para ensinar algo bem diferente dos números: seu próprio idioma. No entanto, antes de ensinar a língua nativa, buscou aprender o idioma da casa. "Esse contato com os brasileiros quando trabalhei em uma fábrica de móveis ajudou muito. Eu falava apenas 'oi', 'obrigado' e 'bom dia'. O brasileiro ajuda muito na hora de conversar. Diferente dos outros países, faz de tudo para você entender o que está dizendo", relatou.
Quando surgiu a ideia de ensinar árabe, Helali queria direcionar as aulas para os filhos dos sírios que nascem no Brasil. "Acabou que nenhum árabe procurou o curso, apenas brasileiros. Eu não esperava, realmente", contou, surpreendido. Ele disse que, agora, seu objetivo está muito além de ensinar o idioma: transmitir sua cultura. "Estou tentando mostrar que nem todos os árabes são o que pensam ser, quando nos referimos à guerra. O pensamento do brasileiro, hoje, é assim: o que vê na mídia é o que define como todos são. Não. Em uma família, nem todos são iguais, porque em uma nação seria?", questionou.
Halile casou com uma professora de inglês, a brasileira Fernanda Galeano, 31. A professora comentou que a didática e a estrutura gramatical do português é muito mais complexa do que os outros idiomas. "O inglês é mais fácil por não ter tantas conjugações, além de que, no árabe, não existe o verbo ser", explicou Fernanda. A professora de inglês contou ainda que os alunos se surpreendem com as aulas de árabe e ficam maravilhados com a língua, além de instigar a curiosidade para aprender sobre a cultura do povo sírio. (N.F.)