Um dos temas mais discutidos entre os gerontológos durante esta semana, referentes ao Dia do Idoso, celebrado na segunda-feira passada, foi o das pessoas que já chegaram na quarta idade, ou seja, alcançaram os 80 anos ou mais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente no Alto Tietê, 14.206 idosos nessa faixa de idade residem nas dez cidades.
O município que apresenta o maior número de idosos com mais de 80 anos é Mogi das Cruzes, com 4.872 pessoas, o que representa aproximadamente 65% do total da região. Já a cidade que registou o menor número foi Salesópolis, com 254 pessoas.
Segundo o gerontólogo Francisco Souza do Carmo, do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia José Ermírio de Moraes, existem algumas razões para o crescimento do envelhecimento no Brasil. "Não só os brasileiros, mas o mundo todo está envelhecendo. Atualmente nossa expectativa de vida é chegar aos 76 anos, mas, segundo o IBGE, esse número irá para os 83 anos. Esse fator é em razão do avanço da medicina, as vacinas, a melhoria do saneamento básico, entre outros", relacionou.
Porém, além dos avanços que a sociedade alcançou, precisamos crescer em outras áreas, como ressaltou o especialista. "Com a quantidade de idosos crescendo, nós não temos a quantidade de políticas públicas necessárias para comportar esse fator. Em 2050, teremos 240 milhões de brasileiros e, desse total, 64 milhões serão idosos, ou seja, mais de 30% da população. O Brasil não está preparado para o envelhecimento da sociedade", lamentou.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem enviado algumas orientações para os médicos responsáveis pelos idosos. De acordo com o órgão, é preciso orientar um envelhecimento populacional que leve em consideração a funcionalidade dele, ou seja, que "as pessoas fiquem idosas ativas e gerem produção na sociedade. Essa medida evitará pessoas com depressão e o sedentarismo na terceira ou quarta idades".
O gerontólogo finalizou dizendo que a idade total para ser considerada uma pessoa idosa deverá ser repensada. "Existem países em que são consideradas idosas as pessoas com 65 anos ou mais. No Brasil, essa medida deveria já ser questionada. O próximo governo que virá terá de pensar nesse caso. É indispensável não olhar para o fator humano", apontou.
* Texto supervisionado pelo editor.