Uma manifestação em prol da vida foi realizada na manhã de ontem pelo grupo Mães Mogianas, no largo do Rosário, centro de Mogi das Cruzes. O ato também teve o objetivo de relembrar os casos dos garotos mortos nas chacinas que ocorreram no município entre novembro de 2013 e julho de 2015, além de convidar a população para participar do julgamento do ex-policial militar envolvido nos acontecimentos.
Hoje, Fernando Cardoso Prado de Oliveira irá a júri popular, às 13 horas, no Fórum de Braz Cubas. Ele é denunciado pelo Ministério Público como autor das mortes de Matheus Aparecido da Silva, 16 anos, e de Felipe Buono Ferreira, 23.
De acordo com a mãe e artesã, Regina Simão, 52 anos, a manifestação é um ato de sensibilização e de pressão ao julgamento do ex-policial. "Queremos chamar a atenção de mais pessoas para a violência contra jovens em diversos locais pelo país. Essas mortes são um absurdo e estamos pressionando para que Oliveira seja julgado em primeira instância", afirmou.
O filho de Regina, Rafael Simão, 21, foi morto em abril de 2014, no Jardim Camila, em Mogi. "O policial que matou meu filho com dez tiros já foi condenado. Hoje (ontem) estou aqui oferecendo apoio às outras mães", disse.
Também para oferecer apoio, a professora Inês Paz, 66, participou da manifestação. "Esse é um ato que pede justiça. Eu fui professora da maioria desses jovens que foram brutalmente mortos pelos policiais. Queremos que a justiça seja feita".
O ato também teve o apoio de mães de outras regiões do Estado, como a pesquisadora Débora Maria da Silva, 59. "Eu sou moradora de Santos e também tive meu filho morto em 2006. O Estado de São Paulo perdeu o processo nas três instâncias, mas o pior dano que tive foi ficar sem o meu filho".
Débora ainda ressaltou o amparo que as mães precisam nesse momento de fragilidade e angústia. "Quando perdemos um filho ficamos sem rumo, e eu senti a necessidade de confortar essas mães que passaram por situações difíceis. O meu filho era negro e gari, muito trabalhador. O Estado tem que entender que ser pobre não é crime. Criminalizar a pobreza é que está errado", concluiu.
*Texto sob supervisão do editor.