Acabou o primeiro turno. Após quase dois meses de campanha para presidente da República, o Brasil decidiu que o candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL), e o de esquerda, Fernando Haddad (PT), vão disputar o segundo turno para ver quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Nada muito diferente do que as pesquisas de intenção de voto apontavam.
O pleito de ontem levou Bolsonaro a ocupar o lugar que antes era do PSDB, como adversário ferrenho do PT. Seu discurso mais duro, e simples até, derrubou o pragmatismo tucano, cheio de frases difíceis e termos que boa parte do eleitorado desconhece. O fenômeno Bolsonaro vai direto na fonte, e isso conquistou a maioria do público, mas, principalmente, o seu discurso de antipetismo pegou o eleitorado que não quer mais o PT no comando do país e não aguenta a morosidade do PSDB.
No outro lado do tabuleiro, o PT tenta se reerguer de um período turbulento. Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a prisão de Lula, isso sem contar os demais, muitos achavam que o maior partido da esquerda brasileira estaria acabado. A eleição mostrou que isso não se concretizou. Lula mostrou que, mesmo preso, ainda tem um enorme poder de influência no eleitorado brasileiro. As palavras ditas "atrás das grades" soam como ordens aos militantes vermelhos. No fim, o partido mostrou que ainda vive, mesmo demonstrando uma fraqueza nunca vista em anos anteriores.
Nos próximos 15 dias, ambos devem se alinhar mais ao centro para tentar fisgar o público que votou em Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e João Amoêdo (Novo), que supreendentemente terminou em quinto. Ficaram mais abaixo Cabo Daciolo (Patriotas), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede), todos os três na casa de 1%. A tarefa não será nada fácil. O grupo de eleitores que votou no pelotão intermediário não se identifica nem com o extremismo de Bolsonaro e nem com o jeito antigo de fazer política, como o do PT. Sendo assim, é possível que tenhamos um grande número de eleitores que prefere anular ou votar em branco do que dar uma chance a qualquer um dos dois de comandar o Brasil.
Seja quem for o eleito no próximo dia 28, haverá uma grande dificuldade em conseguir governar. Primeiro porque PT e PSDB não têm mais as mesmas forças; segundo, será o apoio popular que cada um irá receber. A dupla que disputa a finalíssima, ao mesmo tempo que é amada, é também odiada, e isso deverá se refletir no comando do Executivo. Agora, é aguardar para ver.