O grupo Mães Mogianas fará um ato amanhã no Largo do Rosário, a partir das 11 horas, relembrando os filhos mortos nas chacinas que chocaram a cidade entre novembro de 2013 e julho de 2015. O ato também reforça que, após cinco anos, ocorrerá o primeiro julgamento das execuções. Na terça-feira, o ex-policial militar Fernando Cardoso Prado de Oliveira irá a júri popular, às 13 horas, no Fórum de Braz Cubas. Ele é denunciado pelo Ministério Público como autor das mortes de Matheus Aparecido da Silva, 16 anos, e de Felipe Buono Ferreira, 23.
A perda do filho ainda é sinônimo de saudade. Claudete Rodrigues, de 39 anos, mãe de Matheus, contou que a rotina sem o filho é vazia. "Depois de cinco anos ainda sinto muita saudade. Cuido do meu filho que tive depois do falecimento de Matheus, pois quando ele partiu eu estava grávida, mas não tem sido fácil levar a vida", disse.
Na noite da chacina, dia 15 de novembro de 2013, o jovem retornava para a casa do Centro Cívico, onde estava com alguns amigos, quando foi abordado por um carro branco com quatro homens encapuzados. "Matheus tinha de 16 anos para 17 anos, era um menino muito educado. Os quatro garotos foram alvejados com tiros e todos saíram com vida, mas meu filho não resistiu. No mesmo dia, foi encontrado um dos suspeitos", relembra a mãe. De acordo com ela, uma das vítimas alvejadas se fingiu de morta e relatou que um dos homens que estavam no carro pediu para um comparsa verificar se Matheus estava mesmo morto e, no momento, ele também foi alvejado na cabeça.
Ao que tudo indica, outra vítima do ex-policial é Rafael Simão Sarchi, morto no dia 26 de abril de 2014, no Jardim Camila, na época, com 21 anos. Regina Simão Sarchi, 52, mãe do jovem, contou que faz tratamento psicológico para superar o trauma. "Faço terapia, tem dias que eu nem lembro, mas às vezes tenho crises que não consigo nem sair da cama. Coloco na minha cabeça que ele está viajando e tenho muita fé de que um dia vou encontrá-lo novamente". Depois da morte do filho, Regina ficou em luto por três meses e hoje se apoia na filha de 18 anos. "Estou ansiosa e dormindo mal. Mesmo o julgamento (de terça-feira) não sendo do meu filho, estarei lá para dar apoio às outras mães. Estou fazendo cartaz com o nome do meu filho e quero que os envolvidos sejam condenados", disse.
No primeiro dia de 2015, Diego Rodrigo Marttos, 33, foi morto no distrito de Jundiapeba. Os fatos apontam que os disparos foram feitos pelo policial Wanderlei Messias de Barros. "Ele foi assassinado em um posto de combustível na hora dos fogos, com quatro tiros, e infelizmente veio a óbito. Meu chão e minha vida também se esvaíram neste momento", relembrou a mãe, Maria Aparecia Alves Marttos, 61. As investigações revelam que dois homens encapuzados que estavam em uma moto vermelha assassinaram outro rapaz, em Braz Cubas, momentos depois de Diego. "Ele não fazia nada de errado e era um paizão para a filha. Estaremos unidas mais do que nunca para que venha a condenação. É o que esperamos de coração", finalizou. Cardoso e Barros estão presos no presídio da Polícia Militar Romão Gomes, mas apenas Cardoso foi exonerado da corporação.