A procura pela inclusão do nome social no título de eleitor para as eleições de outubro foi baixa. Os eleitores transexuais e travestis tiveram até o dia 9 de maio para fazer a solicitação e, no total, somente 42 pessoas no Alto Tietê pediram a inclusão do nome social no documento. Também foi possível solicitar a mudança de gênero. O levantamento é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O município com o maior número de pedidos foi Mogi das Cruzes, com 15. Em seguida, Itaquaquecetuba e Suzano empataram com oito solicitações. Seis pessoas solicitaram a inclusão do nome social em Poá, três em Santa Isabel e duas em Arujá. Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema e Salesópolis não contabilizaram pedidos para a inclusão.
De acordo com a definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "nome social é aquele que designa o nome pelo qual o transexual ou travesti é socialmente reconhecido. Já a identidade de gênero estabelece com que gênero - masculino ou feminino - a pessoa se identifica". A opção pela autoidentificação foi reconhecida pelo órgão durante sessão administrativa realizada em 1º de março deste ano e, no dia 22 do mesmo mês, o TSE decidiu que transexuais e travestis também poderiam solicitar a emissão do título de eleitor com nome social. Na época, o então presidente do TSE, o ministro Luiz Fux, declarou que "é papel da Justiça Eleitoral zelar pelo respeito às diferenças e atuar para que o exercício da cidadania se dê livre de embaraços e preconceitos".
A falta de preparo dos mesários durante as eleições já fez com que a psicopedagoga Alexandra Braga, de 41 anos, mulher transexual, passasse por momentos de constrangimentos. "Eu já sofri muito, sempre gostei de exercer meu direito de ir e vir, de votar e eleger em quem eu acredito. Sofri muito porque os mesários não estão preparados e eu, ao exercer minha cidadania, ouvia risadinhas, via pessoas desconfortáveis. Hoje, sou plena em tudo, até no meu direito em votar", contou.
Alexandra não usa mais a palavra "nome social", pois ganhou na Justiça o direito de ser reconhecida com o nome feminino. Mas, para ela, a inclusão é importante para mulheres e homens trans e travestis que não conseguiram trocar o nome legalmente. "Eleição para mim é um ato democrático e sempre quando fere o direito democrático de cada um é algo que tira o direito do ser humano. É contra isso que luto e o nome social dá à pessoa a maneira que ela quer ser vista em sociedade, é um ato que já começa sendo democrático", finalizou.