Papeleiros aposentados e pensionistas da empresa Multiverde Papéis Especiais estão acampados desde anteontem em frente ao Hospital Sepaco, em Mogi das Cruzes, reivindicando atendimento médico que foi cortado, de acordo com eles, em maio deste ano. O objetivo da manifestação, segundo o grupo, é exigir uma solução para que cerca de 200 pessoas possam continuar a ser atendidos pelo sistema de saúde Sepaco.
Em um documento divulgado pela categoria, é informado que "a decisão de cortar o atendimento foi feita pelo Sepaco, sob alegação da falta de repasse de verba pela Multiverde", e que "o sindicato tem buscado resolver esse impasse, pois entende que muito mais do que uma questão meramente financeira e comercial entre Sepaco e Multiverde está a questão humana. Muitas dessas pessoas estavam em meio a atendimentos médicos que jamais poderiam ser interrompidos".
A reportagem do Grupo Mogi News esteve na manhã de ontem em frente ao hospital e conversou com o diretor do Sindicato dos Papeleiros de Mogi das Cruzes, Widson Pereira de Deus. Em 1979, foi criado um convênio vitalício para atender as famílias papeleiras, mas com o crescimento das indústrias, os profissionais alegam que houve uma despreocupação com o setor. "Esses aposentados da antiga Papel Simão, hoje Multiverde, é que têm o convênio vitalício. A empresa deixou de pagar e está em recuperação judicial e o Sepaco não colaborou enquanto não se ajusta e cortou o atendimento. São pessoas que fazem tratamento oncológico, mais de 40 anos no setor, cadeirantes que foram impedidos de entrar no hospital. Nosso papel não é saber se o Sepaco ou a empresa tem razão, nosso papel é garantir o atendimento deles", relatou o diretor.
Um dos aposentados, com mais de 30 anos de empresa, é Claudio Antonio Cucick, 52 anos. "Trabalho na empresa há 32 anos, sempre prometeram o convênio vitalício e hoje nos encontramos na situação de aposentado e o convênio que existia não tem mais, alegam que é falta de pagamento e estamos aguardando fazendo a reivindicação para tentar resolver a situação", contou.
O Sepaco esclareceu que "é um prestador de serviços, assim como outras instituições na região, e mantinha contrato coletivo empresarial com a Multiverde, com plano de saúde para todos os seus beneficiários. Em maio de 2018, houve a rescisão do contrato por solicitação da empresa". Ainda, a reportagem foi informada que, no dia 1º de julho, foi firmado um novo contrato empresarial para prestar assistência somente aos empregados ativos e respectivos dependentes. A Multiverde não se manifestou até o fechamento desta edição. Hoje, às 10 horas, deve acontecer uma assembleia em frente ao hospital.