"Se os Estados Unidos atacarem outro país da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte], será o fim de tudo", afirmou, nesta segunda-feira (5), a primeira-ministra da Dinamarca, Matte Frederiksen. Tanto a Dinamarca e quanto os EUA são membros da Otan. Como a Groenlândia é uma região semiautônoma da Dinamarca, também faz parte da organização. Donald Trump, que acusa a Dinamarca de não ter recursos para garantir a segurança da área, recusou afastar a possibilidade de uma intervenção armada contra a maior ilha do mundo. A questão voltou a surgir após o ataque dos EUA à Venezuela, no último sábado (5), para capturar o presidente Nicolás Maduro e levá-lo a julgamento nos EUA, onde é acusado de narcoterrorismo. Questionado no domingo (4) pela revista The Atlantic sobre as possíveis implicações de uma ação semelhante contra a Groenlândia, Donald Trump respondeu que caberia aos seus parceiros avaliá-las: "Deverão formar a sua própria opinião." O presidente estadunidense disse, contudo, que a ilha do Ártico não é sua prioridade imediata, afirmando que irá tratar do assunto "dentro de cerca de dois meses". "Falemos da Gronelândia dentro de 20 dias", propôs aos jornalistas. Representante especial Há duas semanas, Trump nomeou um novo representante especial para a Groenlândia, Jeff Landry, demonstrando que o assunto não foi esquecido.  Em Mar-a-Lago, na Florida, Trump repetiu no domingo os argumentos de "segurança nacional" invocados para os Estados Unidos anexarem a ilha. Horas depois, voltou a citá-los a bordo do Air Force One, em trânsito para a Base Aérea Andrews.  Agora basta! A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reagiu nesta segunda-feira com preocupação: "Infelizmente, penso que o presidente norte-americano deve ser levado a sério quando diz que quer a Groenlândia." Ela acrescentou que “os EUA não têm direito de anexar nenhuma das três nações do reino dinamarquês”. Mette Frederiksen lembrou também que a própria Groenlândia já disse "repetidamente" que "não quer fazer parte dos Estados Unidos". Por sua vez, nas redes sociais, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, disse "agora basta" e descreveu as pretensões norte-americanas de anexação do território como uma "fantasia". Nielsen apelou ao diálogo, afirmando que este "deve ser feito através dos canais adequados e de acordo com o direito internacional". A União Europeia se mostrou solidária à Dinamarca e avisou que a Groenlândia não é "um pedaço de terra que está à venda". Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou nesta segunda-feira que o futuro do território não deve ser deixado à mercê de Washington. "Vou ser muito claro sobre a Groenlândia: o futuro da Groenlândia cabe à Groenlândia [e] ao Reino da Dinamarca", afirmou em declarações à estação de TV britânica Sky News.   Relacionadas Após Venezuela, Trump ameaça tomar Groenlândia e atacar Colômbia EUA precisam da Groenlândia por razões de "segurança nacional"