O Parlamento da União Europeia votou nesta quarta-feira (17) a favor de um plano que permitiria às mulheres de países que restringem o aborto interromper a gravidez em outro Estado membro gratuitamente. A iniciativa cidadã My Voice, My Choice (Minha Voz, Minha Escolha em tradução livre) propõe um fundo do orçamento da UE para cobrir os procedimentos de pessoas de países com proibições quase totais, como Malta e Polônia, ou de lugares onde o aborto é de difícil acesso, como Itália e Croácia. Embora a tendência na Europa tenha sido de maior acessibilidade ao aborto, com o Reino Unido descriminalizando-o e a França tornando-o uma liberdade constitucional, houve um aumento no apoio aos partidos de extrema-direita, muitos dos quais se opõem ao aborto. Após a votação no Parlamento, com placar de 358 votos a favor e 202 contra, a Comissão Europeia deverá decidir em março se adotará a proposta, embora outras iniciativas de cidadãos não tenham sido totalmente bem-sucedidas. Os defensores da iniciativa, incluindo os defensores do direito ao aborto e alguns membros do Parlamento, afirmam que ela deve reduzir as práticas inseguras e ajudar as mulheres que não têm recursos para um procedimento no exterior. Os críticos, incluindo deputados de extrema-direita e alguns de centro-direita, dizem que a proposta interfere nas leis nacionais e nos valores cristãos tradicionais. "Hoje mostramos ao mundo, mas acima de tudo aos nossos cidadãos, que a UE está ao lado das mulheres. A UE defende a igualdade de gênero, e a UE não tem medo de cumprir todos os direitos humanos, inclusive os direitos humanos das mulheres", disse a eurodeputada sueca Abir Sahlani, do grupo centrista Renew Europe, aos repórteres em Estrasburgo. Relacionadas Saiba como é a legislação sobre aborto pelo mundo Parlamento francês vota inédita inclusão do aborto na Constituição Espanha quer tornar o aborto direito constitucional