Israel anunciou uma grande expansão das operações militares em Gaza nesta quarta-feira, dizendo que grandes áreas do enclave serão tomadas e adicionadas às suas zonas de segurança, acompanhadas de retiradas em larga escala da população. Em comunicado, o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que as retiradas ocorrerão nas áreas onde há combates, ao mesmo tempo em que exortou os habitantes de Gaza a eliminar o Hamas e a devolver os reféns israelenses como a única maneira de acabar com a guerra. Ele afirmou que a operação vai eliminar os militantes e a infraestrutura "e tomar grandes áreas que serão adicionadas às zonas de segurança do Estado de Israel". Basem Naim, uma autoridade sênior do Hamas, disse à Reuters que os reféns israelenses só serão libertados por meio de negociações, e não por pressão militar. Os militares israelenses já haviam emitido avisos de retirada para os habitantes de Gaza que moram nos arredores da cidade de Rafah, no sul, e em direção à cidade de Khan Younis, dizendo-lhes para se mudarem para a área de Al-Mawasi, na costa, anteriormente designada como zona humanitária. O Ministério da Saúde de Gaza informou que 41 pessoas foram mortas em bombardeios israelenses nesta quarta-feira (2), sendo que 19 pessoas, incluindo crianças, foram mortas em ataque a uma clínica da ONU usada para abrigar pessoas deslocadas. Segundo a rádio palestina, a região ao redor de Rafah estava quase completamente vazia após as ordens de retirada. No local de um ataque em Khan Younis, Rida al-Jabbour segurava um sapatinho e apontou para uma parede manchada de sangue enquanto contava como uma vizinha havia sido morta junto com seu bebê de três meses. "Desde o momento em que o ataque ocorreu, não conseguimos nos sentar, dormir ou qualquer outra coisa", disse ela, descrevendo como as equipes de resgate não conseguiram separar os restos mortais. Zona de proteção A declaração de Katz não deixou clara a quantidade de terra que Israel pretende confiscar ou se a medida representa uma anexação permanente de território, o que aumentaria ainda mais a pressão sobre uma população que já vive em uma das áreas mais populosas do mundo. De acordo com o grupo israelense de direitos Gisha, Israel já assumiu o controle de cerca de 62 quilômetros quadrados, ou cerca de 17% da área total de Gaza, como parte de uma zona de proteção em torno dos limites do enclave. A tomada da área de proteção, que contém infraestrutura, incluindo poços, estações de bombeamento de esgoto e instalações de tratamento de águas residuais, bem como uma parte significativa das terras agrícolas de Gaza, também aumentará a pressão sobre a capacidade do enclave de se sustentar. Ao mesmo tempo, os líderes israelenses disseram que planejam facilitar a saída voluntária dos palestinos do enclave, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que ele fosse permanentemente esvaziado e reconstruído como um resort costeiro sob o controle norte-americano. *(Reportagem adicional de Maayan Lubell e Ali Sawafta) *É proibida a reprodução deste conteúdo. Relacionadas Israel mata autoridade do Hezbollah em ataque aéreo a Beirute Em meio à ofensiva de Israel, Hamas convoca protestos pela Palestina ONGs condenam Israel pelos assassinatos de mais 2 jornalistas em Gaza