Na grave crise econômica que vivemos com milhões de desempregados e pessoas vivendo com menos que o mínimo, os auxílios são bem-vindos e fazem a diferença no dia a dia de quem já tem pouco. Benefícios que também atenuam a crise enfrentada por categorias profissionais, como os taxistas que destacamos na edição de hoje, que poderão receber a ajuda do governo federal, porém tudo com prazo de validade. As benesses seguem até dezembro.

Toda ajuda é bem-vinda e importante, mas não resolve a raiz do problema, que, no caso dos taxistas, é, principalmente, o impacto do crescimento das plataformas de transporte de passageiros por aplicativo, que menos burocráticas e com custos menores que as permissões exigidas para os taxistas, se tornaram a alternativa para muitas pessoas em busca de um novo meio para garantir a sobrevivência.

Sem pender para o lado desta ou daquela categoria, qualquer solução emergencial, como os auxílios propostos pelo governo federal, não resolvem na prática o problema de ninguém. São um alívio temporário que, pela proximidade das eleições, podem ser caracterizados como eleitoreiros por parte do governo que busca se manter no Palácio do Planalto.

Da mesma forma se dá com os vulneráveis atendidos pelo governo federal, nos tempos mais duros da pandemia de Covid-19 e também agora, a situação pouco se modificou, e de auxílio, em auxílio, a fome some de forma passageira para voltar com força no momento que aquele recurso, que não é permanente, falta.

Assim como não temos uma política de Estado, mas de governos, que estão temporariamente no poder, não conseguimos efetivar políticas públicas que realmente façam a diferença na vida da população. São preciso dados para fundamentar os investimentos e fazer com os que os recursos das diferentes áreas, principalmente educação, saúde e assistência social, cheguem a quem precisa de forma adequada. Da mesma forma com os empreendedores e autônomos, que precisam de segurança e bases sólidas para alcançarem suas metas.