Quando percebeu já havia atingido um carro parado no momento em que tentava estacionar. A reação poderia ter sido ignorar e sair o quanto antes, mas o motorista decidiu procurar o dono do veículo. E não era qualquer automóvel que tinha acabado de abalroar, era um Porsche Cayenne, avaliado em cerca de R$ 400 mil.
O auxiliar de apoio Matheus Inácio Souza, de 21 anos, não achava certo se eximir da responsabilidade. Tratou logo de procurar nos comércios e residências das cercanias, numa movimentada avenida de Florianópolis, em Santa Catarina, aquele que seria o proprietário para avisá-lo o que havia ocorrido. Não o encontrou. No entanto, antes de ir embora, tomou uma atitude um tanto inusitada. Deixou um bilhete no para-brisa do Porsche: "Boa tarde. Meu nome é Matheus. Acabei colidindo com seu veículo. Tentei achar o senhor e não encontrei. Meu número de telefone é xxxx. Espero seu contato. Obrigado e desculpe".
Não foi pouca a surpresa que teve o dono do veículo importado, o psicólogo Carlos Pimenta. Ele ligou para o rapaz e ouviu seu relato. Pimenta minimizou o ocorrido, disse que era apenas um arranhão e que não trocaria o para-choque, apenas mandaria poli-lo. Ainda falou para o auxiliar que o valor do reparo não faria diferença em sua vida, mas que a atitude dele sim. Levaria consigo para sempre o exemplo, que virou notícia, se espalhou Brasil afora via redes sociais e agora é uma inspiração para muita gente.
Em tempos de ignorância, preconceitos e erros, quando tudo parece ser guiado pela desconfiança e o que mais se vê por aí é uma avalanche de maus exemplos, se deparar com um caso desse nos faz parar para refletir. Será que agiríamos da mesma forma? O que nos diria nossa consciência?
Se a honestidade, o caráter e a educação estão verdadeiramente presentes em nós, como uma tríplice argamassa que fortalece a cidadania, não é difícil imaginar como poderíamos reagir. Ainda assim nos surpreendemos quando notícias contagiantes surgem.
O trânsito é um verdadeiro laboratório para teste de paciência e de consciência. É normal nos irritarmos e ficarmos inconformados com o que vemos nas ruas, com as situações que nos são causadas ou até mesmo com os deslizes que podemos cometer ao próximo, por termos perdido a oportunidade de sermos gentis e educados. Ninguém é totalmente "zen" ou perfeito. Mas o que vai fazer a diferença é a nossa reação, a nossa escolha de comportamento. Assim mostrou o jovem Matheus. Um exemplo para todos.