As mudanças propostas na Medida Provisória aprovada pelo governo federal e publicada no Diário Oficial têm gerado discussões. Como toda modificação, existe um certo incômodo, mas é preciso entender melhor as alterações propostas e suas finalidades. Ao falar sobre a "não obrigatoriedade" de algumas matérias, conservadores já se sentem mal e acreditam que estão acabando com o ensino de qualidade no País. Não é bem assim. O principal objetivo desta MP é melhorar o ensino, que tem obtido notas baixíssimas nos últimos exames feito no Brasil.
Entre as modificações, uma delas parece bem consciente: a de aumentar as escolas que funcionam em tempo integral. Sem dúvida, as unidades educacionais que trabalham neste horário provam que os alunos são beneficiados por ficar mais tempo na sala de aula e não nas ruas. Mais do que se adequar aos tempos modernos, onde os pais não ficam mais em casa para cuidar dos filhos, a medida aumenta o tempo do estudante na escola, com maiores chances de aprender.
Outra mudança seria a de aumentar as aulas de ensino técnico, incluindo ainda aulas práticas em algumas matérias. Neste caso, o objetivo é incluir no ensino médio, alguns conhecimentos voltados a áreas de trabalho, algo como já ocorreu em anos anteriores em Escolas Técnicas, quando o ensino médio e curso técnico andavam juntos. Uma forma de incluir conhecimentos aos alunos mais cedo, para que saiam da escola com melhor preparo para o mercado de trabalho.
Antes de entrar em vigor, a MP precisa ser discutida e aprovada na Câmara e no Senado, caso contrário, ela perde seu valor. Da mesma forma que a reforma da Previdência Social, que uma hora terá de ser criada e aprovada, a educação também precisa de mudanças. Para alguns, esse é mais um remédio amargo, mas não parece ter efeitos colaterais tão fortes.
Mudanças de postura sempre vão desagradar algumas pessoas. Quando o governo cortou o ministério da Cultura, os artistas se revoltaram, porém a maioria deles tinha um interesse em comum: ser beneficiado pela Lei Rouanet. Talvez o mais difícil em uma sociedade é fazer com que o cidadão pense no bem de todos e não dele próprio. Sem esse pensamento, qualquer mudança vai incomodar mesmo. Que esta MP seja apenas o início de uma revolução na educação brasileira, que os alunos realmente melhorem o aprendizado nas escolas e, num futuro próximo, possamos ver a qualidade da educação subir.