Com esse clima ameaçador instalado, onde termina aquele incômodo ruído mental presente em nossas cabeças? Será que ele acaba quando a reflexão começa? Já conseguiu perceber a quem cabe interrompê-lo? Claro: o pensador pela via do pensamento!
Tão logo se tente criar nova maneira de pensar, estabelece-se a batalha entre pensador e pensamento. Um pensamento interfere tentando suprimir outro e cria-se o conflito. Quando se encara isso como fato, passa-se a sentir na totalidade. Compreende-se amplamente o que ocorre ao se ter a percepção do que é sentir, com a mente tranquila. Cria se a condição mágica da mente quieta: para observar, sentir e como síntese, dar existência ao novo!
Obra de arte é atingir esse estado de consciência. Um estado de alto desempenho, um momento especial da existência que vai muito além do trivial. Todas descobertas são feitas quando se está nesse estado, e, por meio dele, passa-se a ver claramente o que antes não se via.
Quando elaboro uma poesia ou uma crônica, é como se cortina após cortina, máscara após máscara, fossem caindo, até que no final resta um painel, que já não pode ser removido. Quando termino a escritura sei muita coisa a respeito do texto, pois nenhuma ideia se pôde esconder, onde quer que seja. Entroniza-se no painel definitivo a ação do julgamento final em que cada ordem, cada som, torna-se escravo do contexto que deve passar a vigorar, como obra.
A comunicação é uma condição sine-qua-non da vida e da ordem social. Bem conduzida, é capaz de desvendar meandros para que a posse dessa realidade seja para lá de esclarecedora e benéfica, abrindo espaço para alcançar até o inalcançável. Ao se praticar genuíno esforço para alcançar o inalcançável, acaba-se criando um clima, que torna possível, o que só seria viável. A predição de um evento tem por resultado fazer chegar ao que ela tem predito. De todas as ilusões, a mais perigosa é pensar que só existe uma única realidade.