Os dois últimos antecessores do prefeito Marcus Melo (PSDB) em Mogi das Cruzes, os ex-prefeitos Junji Abe (MDB) e Marco Bertaiolli (PSD), apontaram erros durante o mandato do tucano como determinantes para que o político não conseguisse a reeleição no pleito do último domingo.
Com 114.656 votos (58,39% dos válidos), o vereador Caio Cunha (Pode) derrotou o atual chefe do Executivo, que ficou com 81.714 votos (41,61%) e assumirá a Prefeitura a partir de 1º de janeiro.
Os apontamentos
O deputado federal Bertaiolli considerou o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) como o primeiro e talvez o de maior equívoco e impacto na gestão de Melo. Em entrevista à rádio Metropolitana, na manhã de ontem, o parlamentar afirmou que o atual prefeito se cercou de pessoas o aconselhavam e que não eram gestores públicos. Segundo Bertaiolli, isso culminou em algumas medidas adotas pela administração municipal que "custaram caro" às pretensões políticas de Melo. "Sem dúvida o IPTU foi proposto de forma equivocada, e mexeu com a vida das pessoas, isso fez uma grande cicatriz no prefeito", disse. "Estive afastado nestes dois anos (do atual prefeito Melo) e o motivo que nos afastou foi o IPTU. Estávamos vendo que não tinha como dar certo, que iria dar errado, e eu não fui a pessoa ouvida", acrescentou Bertaiolli.
O deputado não esteve na campanha de Melo durante o primeiro turno das eleições, aparecendo publicamente apenas na reta final da segunda rodada de votação. Segundo ele, existia a sensação por parte da campanha de Melo de que a vitória viria no primeiro turno. "Ele me chamou depois que foi para o segundo turno, marcamos um café e ele me pediu para que participasse. Decidi fazer não pela figura do Melo e sim pelas pessoas que trabalham juntas a ele", explicou Bertaiolli que disse que sai derrotado desta eleição por ter apoiado um candidato não eleito.
Sobre o prefeito eleito, Cunha, o deputado afirmou que o vereador estava no momento certo e que foi o maior catalisador do sentimento de mudança que já existia na população. "Caio Cunha é um bom candidato", resumiu.
No mesmo sentido, o ex-prefeito e ex-deputado federal e estadual Junji Abe disse que considera que Melo nunca foi um "político vocacionado" e que faltou sensibilidade do prefeito. Como determinante para a perda do cargo, Abe classificou o distanciamento entre o atual prefeito e Bertaiolli como crucial, atrelado a erros e falhas, "numa época que não pode errar". "Já teve o problema do IPTU, pandemia engessou seu trabalho", explicou o político. "Toda eleição democrática vale a vontade do povo e o povo se manifestou. Já fiz pessoalmente votos sinceros para que ele (Caio Cunha) tenha grande sucesso", completou.
Mesmo com a derrota de Melo, Abe fez questão de ressaltar as melhorias obtidas pela cidade em sua gestão. "Ao Melo devemos estender as mãos para elogiá-lo por conduzir a Prefeitura num período de dificuldades e vencendo elas",
destacou. (F.A.)