Com promoções chamativas, mas nem sempre verdadeiras, a Black Friday tornou-se uma data pronta para impulsionar os consumidores a comprarem aquele produto que estavam interessados há meses, mas ainda não tinha alcançado um preço ideal. Neste ano, devido a pandemia de coronavírus (Covid-19), as compras online deverão crescer ainda mais, e em meio a esse novo tipo de aglomeração digital, surge a oportunidade para golpistas enganarem os mais desatentos.
Diante dessa nova modalidade de compras, que cada vez mais tem ganhado a confiança dos clientes, especialistas em Direitos do Consumidor e professores de cursos ligados à área da informática dão alertas para evitar dores de cabeça e fraudes. "Tanto no presencial quando no digital, os consumidores precisam estar atentos às famosas promoções maquiadas, que de tão comuns acabaram fazendo a Black Friday ser chamada de Black Friday no Brasil", explicou Arthur Luis Mendonça Rollo, doutor e mestre em Direito, presidente do Instituto Nacional de Direito do Consumidor (Inadec) e vice-presidente da Comissão de Direito do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo.
Rollo se refere aos produtos que costumam ter o valor aumentado algumas semanas antes da Black Friday apenas para dar a impressão de que receberam um grande desconto em cima desse preço já inflacionado.
"Isso é prática comercial abusiva e está sujeita a multa. O Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) estará de olho e o consumidor que acabar caindo em uma fraude dessas tem o direito de arrependimento sobre a compra online. A partir da data em que o produto chegar na casa do cliente, ele tem até sete dias para solicitar a devolução do produto e reembolso de seu dinheiro sem pagar nenhuma taxa por isso" completou o especialista.
Além das promoções maquiadas, formas ainda mais aprimoradas para enganar consumidores desatentos foram desenvolvidas e a atenção deve ser redobrada sobre a reputação da loja, certificados de segurança e uso de dados bancários ao efetuar sua compra online por sites ou aplicativos.
"Muitas vezes ao se instalar um aplicativo no celular, o consumidor não se dá conta de que está suscetível a golpes ou clonagem de seus dados, inclusive bancários. Afinal, muitos requerem acessos a localização física e câmera de vídeo, por exemplo. É importante ter muita cautela e desconfiar de aplicativos poucos conhecidos. Vale verificar com amigos, familiares e na internet o aplicativo que quer instalar", alertou Renata Costa, professora e coordenadora dos cursos Análise e Desenvolvimento de Sistema e Sistemas de Informação do Centro Universitário Braz Cubas.
A professora explicou que criminosos conseguem falsificar um site de renome e confiança com tanta precisão que até mesmo os mais atentos podem acabar caindo em um golpe. "É preciso ficar atento aos detalhes, as vezes uma única letra é trocada no link de endereço do site. O cibercrime está cada vez mais inteligente e abusivo", disse.
Na dúvida, também vale recorrer aos sites que forneçam a reputação com selos de avaliações e, especialmente, de avaliações dos clientes. Sites como Reclame Aqui e Procon podem ser grandes aliados. Outra dica é verificar os selos de segurança que ficam no rodapé da página e se o domínio começa com HTTPS (Hyper Text Transfer Protocol Secure, ou Protocolo de Transferência de Hipertexto Seguro, em português), uma camada criptografada a mais de segurança que verifica a autenticidade do servidor.
*Texto supervisionado pelo editor.