Nas eleições municipais deste ano, os dez municípios do Alto Tietê têm um total 3.164 candidatos a vereador, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, deste total, alguns chamam a atenção por apresentarem características diferentes e por propostas com foco em determinados grupos da sociedade, como é o caso dos representantes do movimento de lésbicas, gays, transexuais e travestis (LGBT) e de pessoas com deficiência.
Leide Rose, por exemplo, é a primeira candidata cadeirante que irá disputar uma vaga das 15 cadeiras no Legislativo de Arujá. "É preciso muita coragem para participar de uma disputa onde muitos menosprezam a sua capacidade, assim como fazer as pessoas entenderem que nem tudo na política é 'podre'", comentou.
Nascida em São Paulo, a universitária do curso de Pedagogia, mudou-se para Arujá no ano de 2004. A partir de então, ela diz que buscou conhecer os direitos e as leis relativas às pessoas com deficiência da cidade, e se estes eram respeitados.
Entre as principais propostas da candidata do PSD, estão estimular a contratação de pessoas com deficiência, solicitar ao poder público a reimplantação e reativação do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, propor uma legislação municipal que determine a instalação de banheiros adaptados em locais públicos e banheiros químicos em eventos coletivos, promover eventos culturais com a participação das pessoas com deficiência com o objetivo de promover a inclusão social, proporcionar capacitação para os profissionais com conhecimento em Libras (Língua Brasileira de Sinais), entre outros.
"Tenho muito orgulho da pessoa que sou, pois nada na minha vida veio fácil. Não sou uma política profissional. Meu objetivo é trabalhar para a inclusão, dignidade e acessibilidade dessas pessoas, por isso aceitei este desafio, pois vivencio o que é ser deficiente em uma sociedade. Quero trabalhar pelas pessoas de todas os bairros, assim como as 18 mil pessoas com deficiência que residem no município", destacou a candidata.
Igualdade
Em Mogi das Cruzes, a candidata transexual Alexandra Braga (Psol) tentará pela segunda vez uma vaga no Legislativo. Graduada em Pedagogia, ela que já participou do quadro "Lata Velha" no programa "Caldeirão do Huck" (Globo) e do documentário "Tabu Brasil", do canal pago National Geographic, neste ano concorre com outros 397 candidatos da cidade a uma das 23 vagas no Legislativo.
"Decidi me candidatar à vereadora, porque acredito que nós, LGBTs, principalmente os travestis e transexuais, podemos participar da sociedade e das decisões do poder público. Com isso, quero mostrar que somos iguais e que precisamos de respeito, cidadania. Nós podemos estar em qualquer função e não só nas ruas, como muitos pensam", explicou.
Alexandra afirmou ter 20 principais propostas para diversos setores, como transporte, saúde, educação, dignidade da mulher, respeito ao negro e oportunidades para as pessoas da periferia.
"Além destas, a nossa principal bandeira será a cidadania e direitos da população LGBT, em especial travestis e transexuais. Queremos cobrar o Conselho Municipal LGBT, projeto que está engavetado na Prefeitura, o ambulatório da saúde de mulheres transexuais, homens trans e travestis", apontou.
A candidata revelou que também pretende estudar medidas para criar mais oportunidades de emprego e educação para esse público. "Precisamos criar uma lei para que os órgãos públicos respeitem o direito ao nome social", finaliza. (*Texto sob a supervisão de editores)