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O humor sempre pautou o trabalho de Marcos Caruso como escritor. Mesmo assim, a televisão demorou a descobrir sua verve cômica como intérprete. Demorou mesmo, quase 35 anos. A virada foi no sucesso "Cordel Encantado", de 2011. E, desde então, convites para tipos mais divertidos passaram a ser uma constante na vida do ator, como o exagerado Leleco, de "Avenida Brasil", e o despreocupado Feliciano, de "A Regra do Jogo".
No caminho cômico está também o falido Pedrinho, de "Pega Pega". Na atual novela das sete, Caruso se diverte com as cenas inusitadas do "bon vivant" que perde toda a fortuna e vai morar na Zona Norte do Rio de Janeiro. "Consegui o melhor dos dois gêneros. O drama me trouxe prestígio, já o humor me colocou nos braços do povo", compara.
Natural de São Paulo, aos 65 anos, Caruso exibe o fôlego e a empolgação do jovem ator de "Aritana", sua novela de estreia, exibida pela extinta Tupi em 1978. Ao longo dos anos, fez de tudo um pouco na tevê. Assinou folhetins como "A História de Ana Raio e Zé Trovão", exibida pela Manchete em 1991 e depois reprisada pelo SBT, foi premiado por seus desempenhos em tramas como "Mulheres Apaixonadas" e "Páginas da Vida", e ainda viu "Trair e Coçar é Só Começar", sua peça mais conhecida, chegar à tevê como série do Multishow.
"Me sinto muito realizado. Mas não completo. Não quero chegar neste dia de pensar que já fiz tudo que tinha de fazer. A mente não para e ainda existem muitas peças e personagens a serem trabalhados", valoriza.
Além de atuar e escrever, Caruso também dá expediente como diretor teatral. Nos últimos anos, o ator se aventurou de forma bem-sucedida por trás dos palcos em peças como "Brasil S/A", "Estórias Roubadas" e "Família Lions". A mais recente empreitada como diretor foi na premida "Selfie", onde dirigiu o amigo e parceiro de cena em "Pega Pega", Mateus Solano. "É muito prazeroso estudar o texto com os atores e definir como levar o espetáculo para o palco. O teatro tem uma 'pegada' artesanal que me encanta", acredita.
Caruso chegou a mostrar sua faceta diretor na tevê também. Ele teve a missão de dirigir a saudosa Dercy Gonçalves no "Fala Dercy", mistura de talk show, dramaturgia e programa de auditório exibida pelo SBT em 2000. O prazer de dirigir uma de suas referências teatrais, no entanto, foi dragado pela complexidade e ritmo industrial do vídeo. ("Pega Pega", Globo. De segunda-feira a sábado, às 19h20).