O protesto contra o reajuste da passagem dos ônibus em Mogi das Cruzes reuniu cerca de 150 pessoas na tarde de ontem. Os manifestantes se reuniram no Largo do Rosário antes de seguir em passeata até o Terminal Central. Com cartazes e palavras de ordem, eles reivindicaram que a tarifa não sofra reajuste. A proposta apresentada pelas duas empresas que administram o serviço no município é que a passagem suba para R$ 4,70. Hoje, os mogianos pagam R$ 3,80. A Prefeitura ainda estuda o pedido das concessionárias.
"Aumento do busão aumenta a exclusão" era uma das frases utilizadas pelos manifestantes para demonstraram a insatisfação com a possibilidade de reajuste na passagem do ônibus municipal. O grupo saiu por volta das 18 horas do Largo do Rosário e seguiu pela avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco até o Terminal Central. A via teve uma das faixas parcialmente bloqueada pela Polícia Militar que acompanhou o protesto.
A manifestação, organizada por meio de uma página de uma rede social, não registrou nenhum incidente. O protesto contou com a participação de estudantes, trabalhadores e usuários do transporte público. Um deles era o vendedor Leandro Ernani, de 23 anos, que utiliza os ônibus com frequência e se posicionou contra o reajuste. "Colocando no papel, o valor que gastaria por mês é muito alto, não sobraria nada do salário. O valor pedido pelas empresas não é proporcional ao serviço oferecido, já que os ônibus são sujos e vivem quebrando", ressaltou.
A professora Inês Paz, membro do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), afirmou que os próximos passos serão definidos em uma assembleia. "Estamos mobilizados, pois acho importante mostrar para a sociedade, o poder público e as empresas que não queremos nenhum tipo de aumento. Quando aumentaram a tarifa para R$ 3,80, ela já estava muito cara. Nossa batalha é por um reajuste zero", defendeu.
Crise
O advogado Delmiro Goveia também participou da manifestação e criticou a possibilidade de aumento da passagem dos ônibus municipais. "O País está em uma grande crise, mais um aumento agora, é complicado. O reajuste para R$ 4,70 é um absurdo. As empresas pedem, mas cabe o prefeito ver com sensibilidade e não conceder esse aumento", destacou.
O ambientalista Mario Berti analisou que a proposta de aumento das empresas é abusiva. "Esse pedido vem em um momento de crise para tirar do dinheiro do trabalhador, pois são essas pessoas que pegam ônibus. O transporte deveria ser gratuito. Em São Paulo, o governador (Geraldo Alckmin) teve que voltar atrás, porque a Justiça entendeu que não dá nesse momento para ter nenhum tipo de aumento", disse.