O Dia Nacional do Livro é celebrado neste sábado e, diante da era digital, um dos desafios do mercado livreiro é manter os adeptos das versões impressas. Para os escritores da região, o avanço da tecnologia contribuiu para alavancar as vendas e atrair ainda mais leitores. Além disso, a modernização pode ser uma aliada para o segmento.
Para o jornalista, professor universitário e escritor Sérsi Bardari, os novos autores tem mais facilidade para lançar uma obra. "Surpreendentemente, hoje é mais fácil um autor iniciante conseguir publicar seu livro. Inúmeras editoras pequenas surgiram, justamente por causa do avanço tecnológico, tornando a produção do livro impresso mais barata. Essas editoras estão em busca de novidades", revelou.
Ele ainda acredita que a tecnologia pode ser uma aliada e apontou dados de pesquisas para comprovar. "Estudos apontam que, depois do sucesso, as vendas de livros eletrônicos começam a cair. Antes, o mercado desses livros estava em 20% do total vendido", disse. "Pesquisas apontam que na Europa, por exemplo, o número de leitores de impressos só tem aumentado. Aqui no Brasil, essa tendência também vem sendo observada", complementou.
O jornalista e também escritor Anderson Fernandes, citou a mudança no perfil dos leitores nos dias atuais, por conta da era das redes sociais e as novidades tecnológicas. "Vejo uma conjuntura complexa. Isso porque registramos avanços e, hoje, as pessoas têm acesso ao livro com mais facilidade por meio da tecnologia. Por outro lado, temos uma geração de jovens superficiais, que está se levantando", avaliou. "São poucos os que estão 'antenados' em formação cultural, educacional e profissional. A grande maioria se empenha mais à veneração dos objetos de marca (tênis, roupa, carro), às personalidades de rede social e às novidades tecnológicas", disse, ressaltando também a disputa entre os autores de obras literárias com a nova geração.
"Neste cenário, o interesse pelo livro, pela literatura, entre outros, fica em segundo, terceiro, quarto planos; quando existe. O ideal é investir na formação de novos leitores, porém, as grandes editoras estão mais preocupadas com lucro e isso é facilmente observado pelos títulos que estão sendo colocados à disposição nas livrarias", observou Fernandes.
Embora a era digital tenha causado certa mudança no perfil dos leitores, para ele, os impactos não foram tão grandes, já que as pessoas com hábito de ler ainda preferem o meio impresso. "Minhas duas obras 'Entre Quatro Poderes' e 'Nocaute', por exemplo, tiveram mais saída no formato físico do que no digital", revelou. "Também temos o registro de uma recente pesquisa de uma universidade internacional, em que 92% dos universitários disseram preferir os livros impressos aos digitais, para leituras sérias. Então, acredito, que o principal desafio mesmo é formar novos leitores, porque sem eles não teremos mercado nem para o impresso, tampouco para o digital", finalizou, apontando dados de um estudo, que diz que 67% da população não teve influência de outra pessoa para se interessar por leitura.
"É um cenário triste e que piora a cada dia, com a concorrência das redes sociais. Os brasileiros são líderes no tempo gasto na Internet e registram 650 horas por mês nesta atividade. Neste ritmo, no futuro, teremos leitores de impresso e digital, mas certamente será uma pequena parcela da sociedade", concluiu.
Adaptação
Apesar da tecnologia e da facilidade para ler as obras no ambiente virtual, a livraria Boigy, também instalada no município mogiano, não sentiu impacto nas vendas e ressaltou o livro de papel como a preferência dos adeptos da leitura.
O proprietário da Boigy, Bruno Santos de Carvalho, diz que a leitura por meio de acessórios tecnológicos, como tablet, celular e computador pode ser desconfortável.
Sobre o novo perfil dos leitores, Carvalho lembrou que o lançamento de jogos e vídeos no Youtube é o grande responsável por essa mudança.
Mas, para sobreviver e se adaptar ao mercado, de acordo com o novo perfil de leitores, ele revelou que a realização de sessão de autógrafos, cursos de pintura, palestras, sarais e workshops, entre outros eventos culturais, são alternativas para incentivar as pessoas a ler.