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A Polícia Civil está investigando a morte de um bebê na Santa Casa de Suzano. A gestante chegou na unidade em trabalho de parto, na última segunda-feira. A família relatou que o óbito ocorreu por negligência, já que o único obstetra que estava no plantão abandonou o atendimento. Após seis horas de espera por um profissional, as enfermeiras tiveram que iniciar o procedimento sem o acompanhamento de um médico, pois não havia nenhum especialista presente no local. Por conta da demora, o bebê ficou sem oxigênio e não resistiu.
Grávida de 40 semanas e três dias, a auxiliar de enfermagem Natali Amaral Martins, de 27 anos, não pôde nem amamentar seu primeiro filho. Ela chegou na unidade hospitalar às 14 horas de anteontem e, 15 minutos depois, foi recebida por um obstetra que recusou atendê-la na presença do marido. No entanto, a lei garante o direito do pai de acompanhar o atendimento. "O médico pediu para que eu me retirasse, mas eu disse que queria acompanhar a minha esposa. Então ele, simplesmente, respondeu que não atenderia, pegou as coisas dele, foi embora e nos abandonou na sala sem prestar qualquer socorro", relatou o também auxiliar de enfermagem Luiz Cláudio de Oliveira, 27.
Depois do ocorrido, o casal pensou em ir embora, mas recebeu a orientação para permanecerem no local por conta da situação de Natali, que não poderia sair da unidade nas atuais circunstâncias. "Aguardamos o médico que nunca chegava. Às 18 horas, uma enfermeira disse que minha esposa estava com um falso parto e ela ficou sofrendo todo esse tempo", lembrou. "Depois de alguns minutos perceberam que ela estava, realmente, em trabalho de parto. Deu 20 horas, o obstetra não chegou e a enfermeira iniciou o procedimento sozinha".
Oliveira também lembrou que a esposa não pôde tomar os medicamentos pré-parto, porque não havia médico para prescrever e, por volta de 20h40, a mãe foi levada para a sala de cirurgia sem um especialista para acompanhá-la. "A criança era muito grande e só poderia nascer por meio de cesárea, mas não tinha especialista. Então tentaram o parto normal e uma auxiliar tentou empurrar o bebê por cima da barriga. Ela tentava tirar e ele não conseguia sair", detalhou Luiz. Por volta de 21h15, o bebê nasceu. No final do procedimento, chegou um pediatra da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal que ajudou a puxar a criança.
Até o início da tarde de ontem, Natali ainda aguardava atendimento médico, pois após o parto, ela não foi avaliada e nem atendida por nenhum especialista. Luiz afirmou que, no momento do ocorrido, funcionários contaram que o médico não queria fazer o plantão por falta de pagamento.
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