No último domingo, dia oito de março, comemoramos mais um Dia Internacional da Mulher, data com um tremendo significado histórico para a luta das mulheres por conquistas sociais.
Celebrado oficialmente desde 1975, o Dia Internacional da Mulher tem como origem as manifestações e protestos de mulheres reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos ocorridos nos EUA e Europa no início do século 20.
Olhando para a nossa realidade, podemos constatar que tivemos avanços importantes nessa luta. As mulheres conquistaram muitas coisas nas últimas décadas. Mas não há dúvida também que ainda existe muito a ser conquistado.
Uma breve avaliação na situação de homens e mulheres no mercado de trabalho, já é suficiente para perceber as diferenças. A questão de gênero é determinante no mercado de trabalho. Apesar das mulheres apresentarem uma média de escolaridade superior aos homens e trabalharem em média 2,3 horas a mais que os homens, são eles que possuem os maiores salários.
De uma forma geral, as mulheres brasileiras ganham, em média, 79% da remuneração masculina, segundo estudo divulgado pelo IBGE. Mulheres negras recebem ainda menos: 43% dos salários dos homens brancos.
As mulheres que trabalham fora, invariavelmente cumprem outra jornada de trabalho com os afazeres domésticos. Seus parceiros ainda se envolvem muito pouco com essas atividades.
Mas temos outra questão muito urgente quando falamos da mulher, a violência doméstica e familiar. O Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios em 2025, contabilizando 1.568 mulheres mortas em razão de violência de gênero, o que representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Metade das mulheres assassinadas no nosso país foi vítima de arma de fogo. E a intensificação desses casos está diretamente relacionada ao conjunto de ações praticadas pelo governo passado, no sentido de estimular e facilitar a aquisição de armas, e facilitação para o processo de registro das mesmas.
E pior. Existe um discurso estimulado inclusive por autoridades do universo da política, que buscam desqualificar o termo feminicídio o tratando como mimimi. Não é mimimi, é violência covarde e desprezível contra as mulheres.
Seja essa violência física ou moral ela precisa ser combatida. Não podemos esquecer o espetáculo horrendo promovido pela Comissão de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo no caso da deputada estadual Isa Penna. Homens covardes votando para atenuar a pena de um deputado desqualificado que cometeu assédio sexual contra a parlamentar.
A valorização da mulher e o devido respeito a elas, melhora o mundo para todos.
Afonso Pola (acelsopp@gmail.com) é sociólogo e professor