O perigo de faltar em seu emprego é o seu chefe perceber que você não faz falta, ou, pior ainda, perceber que você mais atrapalha do que ajuda. É essa impressão que fica de Neymar após o jogo contra a Argentina. A ausência do indiscutível craque tirou uma opção da seleção brasileira e faz com que o time volte a jogar em grupo, jogar em equipe, jogar coletivamente sem a opção da solução individual.
Neymar voltou a ser motivo de piada com agradecimentos à jovem que o "tirou" da seleção brasileira. Sem Neymar a seleção teve que se virar e não esperar o milagre da individualidade resolver um jogo de equipe. A Argentina viveu com Messi o que o Brasil sempre viveu com Neymar: a solução de um homem só, que como se viu, não veio. E o que se aprende em uma partida de futebol é que, quando não existem opções, há empenho na única saída e o resultado é surpreendente.
A pressão de um grande opoente também fez com que o empenho e a dedicação sejam máximos, revelando aquilo que todo torcedor quer ver. Podemos aplicar a lição também à política. Enquanto se espera a salvação do chefe do Executivo de forma milagrosa, devemos cobrar o time. O Congresso Nacional, por exemplo, o que fez para tirar o Brasil da crise em que estamos? O que a oposição propôs em termos de crescimento econômico, geração de empregos? O que a situação tem feito? Criticar o Executivo não resolve nada, é preciso muito mais, é preciso gerar resultado, gerar valor. Assim como a seleção brasileira sem Neymar, se virando com o que têm, todos devem gerar valor sem esperar a solução mágica de alguém com talento ou poderes acima da média.
Muito torcedores perceberam que a seleção "roda" melhor sem a dependência ou opção de Neymar em campo, já é tempo de perceber isso na política também e começar a cobrar todo o time e não só das estrelas ou chefes do poder Executivo. A solução do Brasil não está nas mãos do Presidente da República, mas de todo o time composto por governantes, gestores públicos membros do Legislativo e Judiciário.