Julho é o mês das férias escolares. Por um lado, as crianças ficam animadas em permanecer longe das salas de aula, livres de cadernos e livros, sem horários fixos para acordar e dormir. Por outro, os pais enfrentam um período de angústia com a casa cheia, tendo de se preocupar com os filhos e vendo a necessidade de preencher o tempo da melhor maneira possível. Porém, o cenário clássico de um mês típico de rotina alterada está ficando distante.
A transformação é simples, afinal as férias já não tomam o mês inteiro e os pais, ocupados e estressados com o trabalho externo, chegam à noite em casa e pouco tempo têm, além de nenhuma disposição, para ficar com as crianças. Por conta de calendários letivos cada vez mais irregulares, algumas escolas dão apenas 15 dias de férias para os alunos e ainda os sobrecarregam com atividades extracurriculares pouco atrativas.
Um dos fatores que influenciaram diretamente na quebra do conceito tradicional das férias é a presença da tecnologia, que já ocupa, não de hoje, boa parte do tempo das crianças e dos adolescentes. As mídias sociais, por exemplo, afastaram os divertidos períodos de descanso nas casa dos avós, substituindo-os por complexas reuniões solitárias nos quartos. O isolamento é um componente que faz parte desse universo e não deve ser tão preocupante assim. Mesmo sozinhos, eles interagem satisfatoriamente via celular.
As prefeituras da região concentram esforços para oferecer alternativas para as férias escolares que tirem as crianças de dentro das casas. Em Suzano, a recém-inaugurada Arena, no Parque Max Feffer, atraiu mais de 22 mil pessoas apenas no primeiro final de semana. Mogi das Cruzes lançou o programa Brincando nas Férias e espera ocupar 10 mil crianças somente na área cultural.
Lembrando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa hoje 28 anos de sua criação, vale ressaltar que, apesar das facilidades para entreter as crianças, o papel mais importante na educação dos filhos ainda é dos pais. São eles que vão equilibrar os pesos das atividades e estabelecer os limites entre o mundo tecnológico e a vida externa. Desta tarefa, não há férias.