Já se viu dinheiro em cueca, pasta, paletó e em mala, mas pequena, só cabia meio milhão de reais. Agora, a Polícia Federal, cumprindo mandado de busca e apreensão esperava encontrar documentos, mas encontrou cinco caixas de papelão e oito malas com dinheiro em espécie, exatamente R$ 51.030.866,40! Simplesmente uma Mega Sena em dinheiro guardado em um apartamento, desvalorizando dia após dia.
A Polícia Federal atribuiu a titularidade dos recursos ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, aquele mesmo que está preso em regime domiciliar sem qualquer monitoramento. Para um país que acha que viu tudo, mais um espanto. Isso é o que foi encontrado em espécie. Fica fácil imaginar o volume financeiro depositado em paraísos fiscais, bens, imóveis e obras de arte adquiridas para lavagem de dinheiro.
Não há malas que bastem para acomodar a sangria dos cofres públicos, os recursos são sistematicamente desviados, roubados e o reflexo é o atraso, a miséria, a inoperância dos serviços públicos em todas as esferas de poder e em prejuízo de toda uma nação. Qual o real alcance da corrupção, qual o real alcance do poder econômico?
A divulgação das gravações de áudios do delator Joesley Batista, que está solto, impune e fazendo negócios bilionários com a venda da Vigor, Alpargatas e Eldorado Celulose, revelam que antes do acordo de colaboração houve cooptação de um membro do Ministério Público que atuava na Operação Lava Janto junto à Procuradoria Geral da República. É como se um dos xerifes fosse, na verdade, um dos bandidos. Rodrigo Janot, o procurador-geral, sai queimado, chamuscado pela arte de um de seus assessores diretos. É a deixa que os bandidos deste país precisavam para tentar desmoralizar e estancar a Lava Jato, o que esperamos que não aconteça. Não é porque há bandidos dos dois lados que ser bandido é o correto.
Depois da apreensão de Geddel, a malinha de meio milhão do deputado Rocha Loures virou pochete, que tristeza. Mas vamos em frente, quem sabe, em breve, a Justiça não encontra um container.