Já temos cerca de dezesseis meses e meio de governo Temer, de forma que, pelo período transcorrido, cabe uma análise de seus principais feitos para vislumbrar o que podemos esperar doravante. Vale afirmar que talvez a renúncia a partir da revelada conversa com Joesley fosse a atitude mais honrada a esperar do presidente, mas o fato é que ele está aí e, mais uma vez, parece-me que ruim com ele, pior sem ele, e assim, vida que segue no País do futebol.
Na prática e, independentemente de partido, ideologia, simpatia pessoal ou afim e, em análise fria, temos até aqui um governo que se revela corajoso, enfrentando pressões, inclusive, a popular, para implantar, como já tem implantado, medidas, muitas de viés conservador e que permitem, sobretudo, que a economia não sucumba. Nessa esteira estão a reforma trabalhista que, mesmo sem grande profundidade, flexibilizou exigências e favoreceu a negociação, a lei da terceirização que passou a incluir a atividade-fim como elemento possível de se contratar, o fim da obrigatoriedade da Petrobrás de operar o pré-sal, abrindo a porta para a iniciativa privada, a aprovação de refinanciamento de débitos tributários das empresas, o estabelecimento de benefícios fiscais concedidos por Estados a empresas, o fomento da regularização fundiária e a flexibilização das regras para licenciamento ambiental, dentre outras medidas menos abrangentes. Portanto, temos uma ação geral conservadora, no sentido de permitir ao setor produtivo que avance, assim, promovendo o aquecimento econômico e a retomada do crescimento.
Essas ações estão longe de resgatar o Brasil e/ou colocá-lo, definitivamente nos trilhos, mas, certamente, são uma arrancada importante e que demonstra, evidentemente, que o presente governo não está focado na sua futura eleição - basta observar a popularidade atual do presidente para constatar isso. A nós, resta trabalhar, com o máximo de participação política que pudermos, até que seja conhecido o novo presidente a ser eleito. Que Deus nos ajude!