Agosto chegou, com sua carga de superstições. Na política nacional, a marca do suicídio de Vargas, em 1954, e da renúncia de Jânio, em 1961, o tornou mês "aziago".
Temer, a quem se atribui - injustamente, creio eu - proximidade com ocultismos, dia desses afirmou que "o aplauso é a voz mais eloquente do corpo". Com a própria voz, propriamente dita, ele não anda bem: sabe o que disse, às escondidas, para o até então amigo, "maior produtor de proteína do mundo", Joesley JBS. A ponto de seus defensores clamarem pelo esquecimento dessa conversa gravada "ilegalmente". Melhor suprimi-la do que investigá-la, dizem os áulicos.
Indo às ruas, e não ao bunker do Comando Militar do Leste ou a auditórios de confederações empresariais, Temer e seus ministros receberiam o incômodo dos apupos.
Nada de pessoal: é questão política, econômica, social e de ética pública mesmo, como qualquer pesquisa indica. Quando 83% da população reprovam a maneira de Temer governar, estão vetando o modo peemedebista de agir na clientelista e retrógrada base do toma-lá-dá-cá. Como o balcão de liberação de emendas, oferta de cargos na máquina governamental e empenho em obras para atender aliados indica.
Sai caro "fidelizar" parlamentares da base de apoio... O saudoso deputado Nelson Trad, que conhecia o PMDB por ter passado bom tempo lá, classificou sarcasticamente isso, lá nos tempos do mensalão: "governabilidade do amor remunerado". Agosto chega com a retomada de muitas mobilizações pelo País, contra a precarização de direitos, a violência crescente no campo e nas cidades e a "naturalização" da corrupção.
Enquanto isso, atirando ao lixo a denúncia da PGR contra Temer, o Parlamento nacional se apressará em aprovar um novo Refis, que beneficiará diretamente 33 deputados e senadores, e empresas das quais 93 outros deles são sócios ou administradores. Além de fazer outras "reformas" que atingem os excluídos de sempre. A isso Suas Excelências chamam "pauta para o Brasil avançar". Xô, azar!