Violência física, psicológica, patrimonial, institucional, negligência e discriminação fazem parte da realidade enfrentada por milhares de pessoas idosas no país. Diante desse cenário, autoridades e profissionais que atuam na defesa desta população reforçam a necessidade de ampliar as políticas públicas, fortalecer a rede de proteção e incentivar cada vez mais as denúncias. Só em 2025, a Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso de Mogi das Cruzes registrou 302 denúncias de violência, e em 2026, já são 132 ocorrências. 

Nesta segunda, dia 15 de junho é o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, marcando o mês do movimento internacional, conhecido como Junho Violeta, uma série de ações são realizadas. Instituído em 2003, o Estatuto da Pessoa Idosa estabelece direitos fundamentais quanto à saúde, alimentação, educação, cultura, esporte, lazer, trabalho, cidadania e à convivência familiar e comunitária.

Para o delegado titular da Delegacia de Polícia de Proteção à Pessoa Idosa de Mogi das Cruzes, Del Poente, a ampliação das denúncias é um indicativo de que familiares, vizinhos e a própria população estão mais atentos. “Embora os números possam chamar a atenção para a quantidade de idosos vítimas de violência em Mogi das Cruzes, eles também demonstram uma maior conscientização da sociedade sobre a importância de denunciar. As diferentes formas de abuso contra este público exigem sempre uma maior vigilância e conscientização de todos nós cidadãos”, afirmou.

Ainda de acordo com o delegado, os crimes mais recorrentes registrados em Mogi, envolvem a apropriação indevida de valores e os casos de estelionato, especialmente aqueles praticados por meios digitais. “Os golpes virtuais estão aumentando e os crimes mais comuns são os estelionatos. A principal orientação é sempre desconfiar, verificar a veracidade das informações e, em caso de dúvidas, não agir por impulso. Se houver prejuízo financeiro, é fundamental registrar a denúncia imediatamente”, orientou.

Acolhimento clandestino

Outro ponto de atenção destacado pelo delegado, é o funcionamento irregular de instituições clandestinas instaladas em áreas mais isoladas do município. Segundo ele, nos últimos 12 meses, a delegacia atuou no fechamento de duas instituições que funcionavam de maneira irregular na região do bairro do Taboão. 

“Algumas dessas casas possuem sede em cidades maiores, como a capital paulista, e, por não terem mais vagas disponíveis, alugam chácaras em áreas afastadas e convencem as famílias de que oferecerão os mesmos serviços prestados nas unidades principais. No entanto, esses locais não possuem a estrutura mínima necessária para atender esse público. Os idosos deixam de receber o atendimento necessário, não há um cardápio adequado de refeições e essas situações acabam colocando em risco a saúde, a segurança e a dignidade dessas pessoas”, afirmou.

O delegado também reforçou a importância da participação da população na identificação desses espaços irregulares. A orientação é para que ao observar movimentações suspeitas, as autoridades competentes sejam comunicadas imediatamente. 

Desafios

Um outro órgão importante na rede de proteção da pessoa idosa, é o Conselho Municipal da Pessoa Idosa, instituído em maio de 1992 em Mogi. Para a presidente do Conselho, Juraci de Almeida Fernandes, um dos principais desafios é a carência de políticas públicas voltadas ao envelhecimento da população. De acordo com ela, o poder público ainda está atrasado na construção de estratégias que possam garantir maior qualidade de vida e dignidade à população idosa.

“Temos poucas atividades destinadas a este público e uma enorme dificuldade de acesso a casas de repouso. Vivemos uma realidade de famílias cada vez menores, onde os idosos acabam vivenciando um envelhecimento solitário. Temos sentido uma falta enorme desses serviços. Nossos idosos estão morrendo sozinhos e é preciso que município, Estado e União assumam essa responsabilidade de acolher com dignidade e cuidar deste público”, destacou.

Outro ponto destacado é a chamada violência institucional, considerada por Juraci uma das mais presentes no cotidiano da população idosa. “Não temos calçadas adequadas, faltam serviços de atividade física descentralizados. É inadmissível que os idosos da região central sejam mais privilegiados do que aqueles que vivem nos bairros mais distantes de Mogi das Cruzes”, criticou.

Embora existam projetos voltados à ampliação das atividades físicas para a terceira idade, Juraci avalia que a implementação ainda enfrenta obstáculos importantes. “O orçamento público ainda não contempla as necessidades reais desta população”, disse.

A exclusão digital é apontada pela presidente do Conselho como uma nova forma de violência enfrentada pela população idosa. Para ela, a rápida digitalização dos serviços públicos e privados não foi acompanhada por políticas de inclusão e capacitação, deixando muitos idosos à margem das novas ferramentas tecnológicas. “Em Mogi das Cruzes, a Mogi Passe tem deixado muito a desejar nesse aspecto. Muitos idosos encontram dificuldades para preencher formulários. Por isso, é fundamental manter o atendimento presencial na maior parte dos serviços públicos”, defendeu.

Canais de denúncia 

Tanto o delegado quanto a presidente do Conselho reforçam os canais oficiais para que a população denuncie qualquer tipo de violência contra a população idosa: Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso de Mogi das Cruzes (11) 4790-2818; Disque denúncia 181; Disque 100; Disque 190 da Polícia Militar.

Em Mogi, o Conselho da Pessoa Idosa atende na Rua Prof. Flaviano de Melo, 525, Centro (dentro do Terminal Central), de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 9 3722-4651.

Programação 

A Prefeitura de Mogi, por meio da Secretaria Municipal da Longevidade, promove ao longo de todo o mês uma programação especial para ampliar o debate sobre a garantia de direitos e a proteção deste público. Nesta segunda-feira (15/06), foi realiza no Centro a Caminhada “Respeito que Protege Vidas”.

Dentre as atividades propostas para o Junho Violeta está o Seminário da Rede de Atendimento Socioassistencial da Pessoa Idosa, marcado para o dia 24 de junho, das 9h às 12h, no Theatro Vasques. O evento abordará o tema "A Rede de Proteção como Instrumento de Prevenção à Violência", reunindo profissionais, gestores, representantes da rede de atendimento, pessoas idosas e demais interessados para debater estratégias de prevenção e fortalecimento das políticas públicas voltadas ao envelhecimento digno e seguro.

Ao longo do mês, também serão desenvolvidas atividades sobre violência financeira e digital, abandono, negligência, saúde emocional, prevenção, tecnologia e ancestralidade, além de ações de orientação comunitária e distribuição de materiais informativos.

Mais informações sobre a Campanha Junho Violeta podem ser conferidas no site oficial da Prefeitura de Mogi das Cruzes