Quantos já não ouviram falar em "lei de Gerson"? Nos idos de 1970, uma propaganda de cigarro na tevê trazia Gerson, o então célebre jogador da seleção de futebol que dizia: "importante é levar vantagem em tudo", frase que, transposta à jocosidade popular, levou ao errôneo conceito do "vale tudo", onde qualquer atitude, seja certa ou errada, vale para obter vantagens...Eis aí uma das nuances da corrupção a conclamar uma análise que envolve o nosso povo.
A atual crise política brasileira fez eclodir inúmeros críticos ferozes, em especial nas ditas redes sociais na Internet, território sem lei, onde se veem costumeiros antagonismos. Tantas vezes aquele que apedreja com uma mão esconde o que faz com a outra, e pior, com naturalidade; isto se constata de uma triste situação: o brasileiro concebe pesos e medidas diferentes nas atitudes cotidianas - a chamada ambivalência de valores.
Vale sempre o "dar um jeitinho" para se dar bem, pouco importando quando se lesa a outrem. "Macunaíma", obra do célebre Mário de Andrade, retrata na história brasileira o dito "herói sem nenhum caráter", triste retrato.
Pois bem, se por um lado há crítica severa à corrupção institucionalizada, pouco se fala da corrupção e da ilegalidade praticadas por tantos cidadãos nos pequenos atos diários, a exemplo de trocar ou vender o voto, o uso indevido das redes sociais (com falsos perfis de usuários, dentre outros) ou da própria Internet, as infrações conscientes no trânsito, o embolsar do troco que veio a mais, o uso indevido de atestados médicos, falsificar rubricas de colegas ausentes nas listas de salas de aula, sonegar nota fiscal, tentar "dar um jeitinho" em multas, falsificar carteirinha de estudante para pagar meia entrada, furtar o sinal da TV a cabo ou "hackear" Internet do vizinho, estacionar indevidamente em vaga de idoso ou deficiente, "bater" ponto pelo colega, não oficializar casamento para manter benefício previdenciário, enfim, infelizmente a lista é interminável.
Que ética é esta? A ética da conveniência? Desculpem-me, mas o povo tem muito ainda a amadurecer. Mude o país sendo honesto, não custa nada...