O comandante do Exército Brasileiro, General Eduardo Villas Bôas, discursando perante o Senado da República, ressaltou que se fazem necessárias políticas públicas para o combate às drogas. Não se faz novidadeira a proclamação, eis que a sociedade como um todo, faz tampo, sentindo os terrores provocados pelo flagelo do tráfico, tem erguido a voz e clamado por providências.
Nada, no entanto, tem abalado a "consciência" dos diferentes gerenciadores da Nação, que, ouvidos moucos, olhos cerrados para o problema, calam-se constantemente.
A tomada dos morros cariocas; a formação de grupos de criminosos, que assombram pelo poderio que conseguiram; as guerras abertas que envolvem as periferias; as mortes que se tornaram triviais nesses confrontos campais; o tormento a que se submete a população receosa da "bala perdida"; nada disso os sensibilizam.
E, mais uma vez, embora a autoridade da voz que se levantou, o reclamo não passou de palavras lançadas ao vento, ou do desabafo de militar de altíssima patente que vê a força que comanda perder o brilho advindo de sua história, transformando-se em um grande aparato policial de fronteiras e de metrópoles.
Dias após o lúcido pronunciamento, se fez corte violento no orçamento da Polícia Rodoviária Federal, inviabilizando-se, praticamente, a sua função de vigia das estradas, costumeiros locais de apreensões de drogas e armas contrabandeadas.
Valendo-se da crise econômica que parece nos assolar - ressalto o "parece", porque em entrevista no exterior o presidente ressaltou que tudo é ficção - com desculpa esfarrapada foi justificada a retirada de quase 40% dos fundos previamente previstos.
Tivesse o Executivo Federal a responsabilidade que dele se espera, derivaria para os órgãos de maior relevância - e a Polícia Rodoviária Federal, no contexto, o é - a verba necessária.
Mas não, usa o nosso suado dinheiro do povo para comprar votos que encubram suas mazelas, nada negando aos "nobres políticos" e fundos partidários!
Tá tudo dominado!