A Prefeitura de São Paulo tem recursos para investir só 18% dos R$ 5,5 bilhões previstos para este ano no Orçamento da cidade, segundo projeções da Secretaria Municipal da Fazenda. O volume - cerca de R$ 1 bilhão -
será o menor montante de investimentos dos últimos dez anos, em valores nominais (não corrigidos pela inflação). Até julho, R$ 410 milhões já foram gastos em obras e projetos.
O secretário da Fazenda, Caio Megale, diz que a alta de 83% nos gastos comuns (custeio) dos últimos cinco anos e a redução de R$ 1,3 bilhão para R$ 200 milhões na previsão de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são justificativas para o desempenho. Ele cita também os gastos de R$ 3 bilhões não previstos no Orçamento (feito na administração anterior) e a crise econômica.
O prefeito João Doria afirma que, "neste cenário, de déficit herdado da gestão anterior e da queda na arrecadação, foi preciso priorizar". Assim, "investimentos vêm sendo realizados com muita seletividade e responsabilidade fiscal". Já o ex-prefeito Haddad rebate. "Investi R$ 17 bilhões no mandato, recorde histórico, em meio a uma recessão de 8%, sem cortar nenhum serviço social, e não vendi nada. E obtive grau de investimento da agência (de risco) Fitch."
Megale relata pelo menos 63 obras, entre creches e postos de saúde, além de dez empreendimentos maiores, de drenagem a corredores de ônibus, que estão sem verba.
A paralisação deve garantir o equilíbrio das despesas e receitas e manter o pagamento de servidores, fornecedores e da zeladoria. "A economia está difícil de reagir, se é que vai reagir. Não há nenhum sinal, do lado da receita, de que a economia está melhorando." Ao contrário da receita, diz, as despesas subiram. "Venho de uma dinâmica de receitas abaixo da expectativa e tendo de equacionar o que vem do passado", afirma Megale. Na Saúde, em valores nominais, segundo a gestão Doria, a alta de gastos de custeio de 2015 para o ano passado foi de 23,5%. (A.E.)