A semana poderá ser decisiva para o futuro do presidente Michel Temer e, consequemente, do País e da população. Está previsto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o julgamento da chapa do peemedebista e da petista Dilma Rousseff referente à eleição de 2014. Não se sabe se haverá tempo hábil para que o assunto seja debatido nas três sessões previstas, nem mesmo se algum dos ministros pedirá vistas.
Também há uma incógnita sobre como será apreciada a questão, já que há quem defenda que os dois políticos sejam julgados de maneira separada e aqueles que sustentam o fato de que não existe possibilidade de dissociá-los, já que se tratava de uma campanha conjunta.
E elementos preponderantes poderão interferir, oficialmente ou não. Há vários indícios de irregularidades praticadas durante a campanha. Mas há também fatos mais concretos, especialmente o conteúdo da delação premiada dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura. Eles afirmaram à Justiça Federal que receberam dinheiro oriundo de caixa 2 como forma de pagamento pelo trabalho prestado. E essa afirmação consta do processo que está prestes a ser julgado.
Por outro lado, novas e graves informações surgidas recentemente envolvendo Temer, contidas na delação do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, não poderão entrar no mérito porque não estão nos autos. No entanto, não há dúvida de que tudo isso estará na mente de cada um dos ministros e ninguém poderá adivinhar se será suficiente para decidir o voto. Já quanto a um pedido de vistas, o presidente do TSE, Gilmar Mendes, já disse ser algo possível. O desafio para quem assim proceder é fazer com que não transpareça uma manobra para favorecer Temer.
Serão momentos de grande expectativa. Até mesmo porque, se a chapa for cassada, viveremos uma situação inédita no período republicano pós-Constituição de 1988 com uma convocação de eleições indiretas para definir o responsável pelo comando do País.
Quando o escândalo envolvendo Temer veio à tona, falaram muito que isso afetou a economia e que o fôlego que surgia se perdeu. Agora poderá acontecer o inverso. O peemedebista quer usar alguns fatos positivos atuais na economia, principalmente a queda na taxa de juros e o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), para influenciar o TSE e fazer com que o julgamento não aconteça e evitar não só uma possível saída sua como também a volta de uma instabilidade.
É de fato um jogo, com muitas peças. Mas um jogo que a população não joga, apenas observa, e não sabe para quem torcer.