O relatório Atlas da Violência 2017 que é elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Governo Federal e em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, começou a ser divulgado. A base desse estudo são os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, com informações computadas até o ano de 2015.
As conclusões do relatório apenas confirmam o que outros estudos já demonstraram. Cada vez mais jovens e negros morrem no Brasil.
Durante o ano de 2015 nós atingimos a vergonhosa marca de 59.080 homicídios, o que significa uma taxa de 28,9 por 100 mil habitantes. Esse número supera a marca atingida por territórios em guerra pelo mundo inteiro.
Em apenas três semanas, o total de assassinatos no país chega a ser superior ao número de mortes causadas por ataques terroristas em todo o mundo, nos cinco primeiros meses de 2017.
E quais são as principais vítimas dessa violência? Pessoas do sexo masculino, jovens, negros e com baixa escolaridade. Se considerarmos apenas as pessoas entre 15 e 29 anos, a taxa de mortes para cada grupo de 100 mil jovens foi de 60,9 superando em muito a taxa geral por 100 mil habitantes que foi de 28,9.
O comportamento da taxa de homicídios contra negros no período entre 2005 e 2015 também é preocupante. Enquanto houve um crescimento de 18,2% na taxa de homicídio de negros, a mortalidade de indivíduos não negros diminuiu 12,2%. Segundo o relatório também foi registrado aumento de homicídios contra as mulheres negras enquanto essa taxa foi reduzida para mulheres brancas.
No ano passado, por exemplo, a ONG (Organização não Governamental) mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal publicou uma lista com as 50 cidades mais violentas do mundo, sendo que 19 delas são brasileiras.
Essa violência desenfreada tem mutilado nossa sociedade. Ela é tão intensa que interfere na proporção de mulheres e homens de nosso país. Nascem mais homens do que mulheres. Entre os jovens essa diferença vai caindo até o momento em que a população feminina se torna maior. É muito triste.