Essa pode ser a nova definição do PSBD. Após ingressar com a ação eleitoral contra a chapa Dilma-Temer, julgada improcedente, o PSDB, que ocupa quatro ministérios no atual governo, decidiu continuar onde está. Após a delação da JBS, continuar apoiando e participando do governo Temer revela total incoerência.
Em 2018 temos eleições presidenciais e a continuidade no governo certamente contaminará a candidatura do PSDB, qualquer que seja ela. Não bastasse o desgaste natural dos candidatos pelo exercício de seus cargos públicos, serão contaminados pela indesejável rejeição ao atual governo Temer e das possíveis reformas trabalhista e previdenciária.
O presidente do partido, senador afastado Aécio Neves, é alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República; o partido precisa se reinventar. Querem continuar usufruindo das benesses de ser governo, mas pagarão um alto preço eleitoral. Na verdade sabem que o governo Temer não terá nenhum futuro político e querem apenas usufruir o máximo possível desse mandato já destroçado politicamente.
Os mais novos, chamados de cabeças pretas, alusão a cor dos fios, querem se afastar do desgaste político; já os cabeças brancas, aqueles que já não têm muita perspectiva de poder, querem usufruir o agora. O fato é que o PSDB está ficando tão maculado quanto o PT. Pode parecer um exagero mas não é.
A única vantagem do Brasil é que os eleitores não votam em partido, votam em candidatos. Talvez os estrategistas do agora apostem nisso para continuar num governo totalmente combalido.
Miguel Reale Junior, advogado e jurista, autor do pedido de impedimento de Dilma se desligou do partido. Coerente, disse que o partido desvirtuou e traiu suas origens e a militância ao avalizar um governo envolvido em "fatos notórios de corrupção".
De fato, a delação de Joesley deixou escancarada a imoralidade administrativa e a absoluta impossibilidade de continuar apoiando o atual governo. Essa incoerência cobrará seu preço em 2018. A esperança é que os eleitores, ao menos eles, sejam coerentes.