Na medida em que os áudios da delação da JBS são divulgados, temos a certeza de que o nosso grau de imoralidade administrativa é altíssimo, na verdade insustentável. Um presidente que indica um deputado federal para cuidar dos interesses da JBS no governo, um senador que pede R$ 2 milhões para pagar advogado, outro que diz que não faz nada de errado, só trafica drogas, esse é o quadro.
Lamentável, insustentável, imoral. Precisamos de uma faxina ética em nossos quadros políticos, uma ampla e irrestrita renovação. A cadeia, tão criticada por muitos, parece não ter intimidado os poderosos que se revelam alheios aos acontecimentos, descrentes de que um dia, sim, podem estar atrás das grades.
Todos se agarrando em seus cargos, em suas prerrogativas, negando o inegável, sustentando a inocência inexistente. A renúncia e um público pedido de desculpas seria o mínimo, mas não, o que assistimos são defesas, pressões, manobras, como se toda a nação fosse cega, surda e muda.
A mudança no ministério da Justiça, pela terceira vez no curto período de um ano de mandato de Michel Temer, revela a instabilidade do governo e a sua inútil tentativa de sobrevida. Esse governo pode ser legal, mas é absolutamente imoral.
Esperamos que diferentemente do que disse o ministro Gilmar Mendes, o TSE acabe com a crise política, cassando a chapa Dilma-Temer. Não é função do TSE, como não é função de nenhum juiz acabar com crises políticas, mas seria ótimo se isso acontecesse. Resolvem-se dois problemas com uma única decisão judicial. Que o TSE faça aquilo que o Congresso Nacional dificilmente fará.
Não podemos ficar sob o comando de um governo absolutamente desmoralizado, compete a quem tem o poder para fazer o bem, o fazer. Cassada a chapa Dilma-Temer, assume o presidente da Câmara, há eleições indiretas e o Brasil segue rumo a 2018, talvez em sua mais turbulenta viagem da história. TSE, o Brasil espera uma resposta contra a imoralidade em que vivemos. Esperamos dos juízes o que não teremos dos políticos.