A situação do presidente Michel Temer (PMDB) está cada vez mais complicada devido às denúncias de corrupção passiva feitas ao Superior Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República. Mesmo com provas abundantes de que ele recebeu propina, seu discurso é típico, conhecido e previsível. Segundo ele, não há provas, ele é vítima de infâmia e as denúncias não passam de mera ficção. A morte lenta do presidente, com isso, parece ter subido mais um degrau rumo ao que parece inevitável: sua queda.
As denúncias de corrupção passsiva vieram à tona na segunda-feira passada e no dia seguinte Temer veio a publico se defender, ao lado de aliados, no Palácio do Planalto.
Na peça, o procurador-geral Rodrigo Janot afirmou que as provas de que o presidente recebeu dinheiro são abundantes. Por isso, é importante não esquecer deste e de outros fatos fervorosos e históricos que aconteceram no País desde a reeleição de Dilma Rousseff (PT), passando pelo impedimento do seu mandato, que resultou em sua queda, e tudo o que a Operação Lava Jato traz à tona desde então.
Somos conhecidos como um povo de memória fraca. Se não reconhecermos nosso passado não teremos base para entendermos porque chegamos a essa situação de calamidade - nos campos político e econômico.
O Brasil, historicamente, foge de sua história. Não há muito tempo, aprendíamos nas escolas a reverenciar uma princesa rica, branca, chamada Isabel, pelo fim da escravidão. Pelo menos hoje em dia os alunos já têm uma visão mais clara sobre essa história, e sabem que não existem motivos para guardarmos com carinho essa mulher em nossa memória afetiva. Tínhamos que aprender a reverenciar, na verdade, o negro Zumbi, símbolo de luta e resistência, que ensinou seu povo a lutar até o fim contra aquela devastadora situação.
Assim acontece até hoje com o autoritarismo militar. À defesa de poucos, escondemos ou "maquiamos" as atrocidades cometidas durante as duas décadas de vigência da ditadura. E o que falar sobre o Senado, que tenta omitir o impedimento do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB) como parte da história do Brasil. Na ocasião, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), visando interesses particulares, justificou que a queda de Collor teria sido apenas um "acidente".
Importante relembrar esses fatos para que não cairmos em novas armadilhas. Não podemos nos prender ao passado, porém ignorá-lo nos impossibilitará de planejar o futuro.