Há pouco tempo discorri sobre a constituição, seu valor para uma nação, especialmente para seus cidadãos. Tivemos ao longo da história sete constituições a começar em 1824 até a atual, sempre ao sabor dos ciclos da política brasileira e do pensamento mundial.
Também me referi à constituição estadunidense, que muito embora fruto de sistema legal diferente do brasileiro, inspirou algumas de nossas constituições, estando vigente desde 1787 com sete artigos e vinte e sete emendas de revisão (pouco para uma carta constitucional que vigora há 230 anos), mesmo tendo aquele país atravessado períodos de crises políticas (a lembrar Watergate por exemplo), não os compele a mudar a constituição, o que comprova que uma nação democrática se constrói com o respeito à norma vigente, sem mudanças conduzidas por casuísmos e interesses, o que parece ser o que vem ocorrendo em nossas terras em meio a uma crise político institucional, que mostra riscos, principalmente frente a tantos contrapontos políticos partidários.
Outras nações também mantêm constituições "antigas" - mas ainda de aplicabilidade democrática moderna - como a Noruega (onde vigora desde 1814), Bélgica (1831), Luxemburgo (1868) e Austrália (1900). Muitos dirão que são nações monárquicas, ricas e progressistas, no que não podem se comparar à nossa (também não estou a propor a volta da monarquia), porém, voltemos lá aos norte-americanos, que são uma república presidencialista como a nossa.
Repúblicas europeias, na maioria tiveram novas constituições após a segunda guerra mundial, as quais continuam a vigorar, a exemplo da Alemanha e Itália, embora parlamentaristas. Assusta é ver agora em solo brasileiro tantos arautos do extremismo, seja de intitulada esquerda ou direita e da pregação por uma nova constituição, que nova ou velha, não fará a diferença para o que esperamos no quesito "caráter para governar".
Volto a dizer: tudo o que precisamos é cumprir aquela que temos em respeito à democracia tão cantada em "prosa e verso" e que reside agora no texto constitucional vigente. Não se justifica mudar as regras do jogo nos trinta minutos do segundo tempo, pelo menos se nossa intenção é termos uma democracia para valer.